quarta-feira, 2 de agosto de 2017

116) Não é verdade que as provas da existência e sobrevivência do espírito humano dependam, apenas, das informações pessoais fornecidas, mediunicamente, pelas personalidades comunicantes.

   O texto abaixo é de autoria do "grande mestre da ciência da alma", Ernesto Bozzano. Após cada item, quando não é citado o nome do autor do livro, deve-se subentender que é do filósofo italiano.

     As considerações abaixo visam a confutar, com base nos fatos, a inefável objeção anti-espírita segundo a qual, não se podendo assinar limites às faculdades paranormais da telepatia e da clarividência, também nunca será possível demonstrar-se experimentalmente, portanto, cientificamente, a existência e sobrevivência do espírito humano. Como se sabe, essa gratuita objeção se refere exclusivamente aos casos de identificação espirítica, baseada nos informes pessoais fornecidos pelos defuntos que se comunicam, casos que perderiam todo valor demonstrativo se resultasse fundada a referida objeção, porquanto, então, seriam explicáveis, em massa, com os poderes da subconsciência, os quais chegariam a extrair os aludidos informes das subconsciências dos vivos que, embora distantes, houvessem conhecido os mencionados defuntos. Sem levar em conta que tal objeção nos levaria a um postulado filosófica e cientificamente insustentável, qual o de conceder, à subconsciência humana, a onisciência e onividência divinas, a verdade é que, em metapsíquica, se encontram grupos notáveis de provas diretas e indiretas, as quais não dependem da identificação estritamente pessoal dos mortos comunicantes, mas convergem igual e admiravelmente na direção da demonstração da existência de um espírito sobrevivente à morte do corpo; e, portanto, contribuem valiosamente para reforçar a prova de identificação pessoal conseguida na forma de informações fornecidas pelo morto sobre sua existência terrena; e tanto contribuem que o professor Hyslop se dedicou a observar como a teorias científicas da "gravitação universal" e da "evolução biológica da espécie", apesar de fundadas sobre fatos, estejam bem longe de serem demonstradas com base em uma acumulação de provas tão impressionantes quanto as que demonstram a existência e a sobrevivência do espírito humano, assim como a realidade da comunicação mediúnica entre mortos e vivos. Daí se tem que, do ponto de vista científico, o valor cumulativo de tal complexo excepcional de provas distintas, harmonicamente convergindo na direção da mesma comprovação, constitui um dado de certeza racional, o qual, embora não sendo absoluto (repito, o absoluto é de Deus), resulta de uma relatividade equivalente à certeza prática, como também resulta equivalente, e em muitos casos superior, a todos os dados de certeza teórica legitimamente postos como fundamento de qualquer ramo do conhecimento, salvo a matemática. Resta demonstrar a legitimidade científica das considerações expostas, ilustrando-as e documentando-as na base dos fatos, o que determinará a queda definitiva das objeções em exame. 
     E, para começar pelas provas da ordem geral que convergem, em seu conjunto, na direção da comprovação da existência e sobrevivência do espírito humano, eis a enumeração das principais dentre elas: 

1) A existência latente, na subconsciência humana, de faculdades paranormais maravilhosas, emancipadas dos vínculos de espaço e tempo, independentes da lei de evolução biológica (prova que não são o produto da evolução biológica); faculdades que permanecem inoperantes durante a existência terrena, salvo sua emergência fugaz, em relação direta com múltiplos estados de vitalidade deficiente nos indivíduos, emergência que resulta mais ou menos notável de acordo com o grau mais ou menos avançado de tais estados de deficiência vital. Daí se infere, logicamente, que quando as funções vitais nos indivíduos forem suprimidas pela crise da morte, só então as faculdades paranormais subconscientes estarão em condições de emergir e de se exercer com plena eficiência. Em outros termos: tudo concorre para demonstrar que as faculdades paranormais em questão são os sentidos espirituais do homem, os quais existem pré-formados, em estado latente, na subconsciência, à espera de emergir e de se exercer no ambiente espiritual depois da crise da morte, assim como os sentidos biológicos existem pré-formados, em estado latente, no embrião, à espera de emergir e de se exercer no ambiente terreno, depois da crise do nascimento. (Ver o livro "Animismo ou Espiritismo? Qual deles explica os fatos?"). 

2) A existência dos fenômenos de "bilocação", os quais apresentam a mesma característica indicada pelas faculdades paranormais subconscientes: durante a existência terrena se determinam apenas em condições fisiológicas implicadas numa crise de deficiência vital nos indivíduos, e seu grau mais ou menos avançado de exteriorização está em relação matemática com o grau mais ou menos pronunciado de tal crise de deficiência vital, a qual corresponde a uma fase mais ou menos avançada de desencarnação incipiente do espírito. Daí se deve inferir que os fenômenos de "bilocação temporária" tal como se realizam entre os vivos, preludiam o fenômeno de "bilocação definitiva", como se realizarão na crise da morte. E, em seguida, o "corpo espiritual" se separará para sempre do "corpo carnal". Comprova-se, de fato, que numerosos "videntes", desconhecidos uns dos outros, que se encontram na cabeceira dos moribundos, concordam admiravelmente entre si, na descrição dos processos de desencarnação do espírito e da consecutiva formação do "corpo espiritual", que eles veem e descrevem em cada uma de suas fases de exteriorização. (Ver os livros "Fenômenos de Bilocação", e "Animismo ou Espiritismo?").

3) A existência de numerosíssimos casos de "aparição de mortos no leito de morte", cuja grande eficácia teórica no sentido espiritualista é independente das provas usuais de identificação espírita com base nas informações pessoais fornecidas pelos mortos comunicantes. E sua grande eficácia teórica emerge, sobretudo, da circunstância de que se manifesta em condições que excluem resolutamente as hipóteses "alucinatória" e "telepática"; isso porque os fantasmas dos mortos são muito frequentemente percebidos coletivamente pelo moribundo e pelos presentes, e algumas vezes os presentes o veem antes do enfermo; assim como acontece muitas vezes de o moribundo ver espíritos de mortos recentes, falecidos em lugares distantes, e dos quais todos os presentes, inclusive o enfermo, ignoravam a morte. Daí se exclui a hipótese alucinatória na forma de autossugestão do agonizante, e a telepática na forma de transmissão do pensamento da parte dos presentes. Noto, enfim, que as hipóteses em questão devem ser excluídas nos casos de crianças em tenra idade, os quais, encontrando-se no leito de morte de outra criança da mesma idade, veem fantasmas de mortos reconhecidos pelos parentes. É flagrante que, em circunstâncias semelhantes, não se poderia falar nem de alucinação nem de telepatia, visto que crianças moribundas, abaixo de cinco anos, que ignoram o que venha a ser a morte, não podem se autossugestionar a ponto de provocar em si mesmas, visões alucinatórias de mortos, transmissíveis telepaticamente a outra criança presente. Quanto a isso, observo que a grande eficácia teórica, no sentido espírita, de tais episódios é tão evidente que se impõe ao critério imparcial do professor Richet, o qual teve a louvável franqueza de reconhecê-lo. (Ver os livros "Fenômenos Psíquicos no Momento da Morte" e "Animismo ou Espiritismo?").

4) A existência de fenômenos de premonição de morte acidental, nos quais vem indicado à vítima o evento fatal que a espera, mas isso de maneira voluntariamente obscura e reticente, ou sabiamente simbólica, de modo a tornar impenetrável a todos, até que o evento se realize, o significado dos símbolos transmitidos ou das reticências propositais. Tudo isso com a clara finalidade de circunscrever a premonição nos limites de um pré-aviso à vítima para prepará-la quanto ao destino que a espera, evitando que ela compreenda demasiado e consiga se opor ao decreto do destino. Todavia, como muito frequentemente esses tipos de manifestações são autopremonições, decorre o absurdo da tese sustentada pelos opositores da hipótese espírita, segundo os quais todas as manifestações premonitórias seriam devidas à faculdade subconsciente da personalidade humana. Mas como presumir que uma personalidade subconsciente autônoma, destinada a se extinguir com a morte do corpo, esconda à própria personalidade consciente, sob o véu de símbolos engenhosos, a particularidade essencial do evento que a ameaça, e isso com a precisa intenção de deixá-la morrer, e de se deixar morrer? É certo que semelhante interpretação dos fatos, sendo logicamente absurda, deve ser considerada errônea e deve excluir a si mesma; daí se trata de inferir que tais reticências, inconciliáveis com a existência encarnada da personalidade humana, não só revelam a intervenção de entidades espirituais em algumas categorias de manifestações premonitórias, mas provam também como tudo isso acontece com uma finalidade ultraterrena. Isso reconduz forçosamente à hipótese espírita. Vale dizer, à demonstração – com o auxílio dos fenômenos precognitivos – da sobrevivência do espírito humano, considerada em dois pontos de vista diferentes, que são os dois polos do ser: o Animismo e o Espiritismo; como também reconduz à concepção inevitável da existência de uma Fatalidade superior aos destinos humanos, fatalidade relativa, com base na qual resultariam preordenadas as etapas essenciais de nossa existência de espírito encarnado. Segundo ela, dever-se-ia inferir que o trânsito no mundo dos viventes é uma escola e uma prova, correspondente a uma fase evolutiva do espírito. (Ver os livros "Fenômenos Premonitórios" e "Animismo ou Espiritismo?").

5) A existência das "correspondências cruzadas", as quais, a seu turno, diferenciam-se totalmente dos casos de identificação espírita fundada em informações pessoais fornecidas pelos mortos, dado que as "correspondências cruzadas" são obra dos mortos. E, na verdade, não são projetadas pelos vivos, mas propostas pelos mesmos mortos ansiosos em conseguir, de algum modo, dissipar a perplexidade dos vivos em torno da realidade de sua presença espiritual no local. Nota-se como as "correspondências cruzadas" consistem no fato de que a personalidade mediúnica comunicante, ao invés de transmitir sua mensagem com o auxílio de um só médium, subdivide a mesma em fragmentos, cada um dos quais resulta, por si só, vazio de significado, e transmite então cada fragmento singular a um médium diferente; tudo isso no mesmo dia e mesma hora, com breves intervalos entre uma e outra transmissão, enquanto os diferentes médiuns se encontram muito frequentemente distantes entre si a centenas de milhas e, algumas vezes, residem em continentes diferentes. Somente quando os vários grupos experimentadores reúnem os fragmentos obtidos, é que conseguem reconstituir integralmente a mensagem transmitida. Tais sortes de experiências conseguiram, recentemente, um altíssimo significado espiritual, e isso devido aos maravilhosos resultados obtidos em Boston com a médium Margery Crandon, em Londres com a médium Osborne Leonard, e em Newcastle com as sugestivas experiências do sr. Frederick James Crawley. Para qualquer um que se ponha a investigar e comparar os agora numerosos episódios do gênero, não pode existir dúvida sobre o fato de que os mesmos provam, de modo resolutivo, a independência espiritual da personalidade comunicante, com relação a todos os médiuns de que se vale para fins próprios. Significa dizer que eles provam a intervenção real de entidades espirituais nas experiências mediúnicas, entidades que não poderiam deixar de ser os espíritos dos mortos que se afirmam presentes, porquanto provam, ao mesmo tempo, sua identidade pessoal, fornecendo minuciosamente informações sobre sua existência terrena. Daí se tem que o fenômeno das "correspondências cruzadas" se converte em uma outra prova cumulativa maravilhosa, demonstrando a existência e a sobrevivência da alma, bem como demonstrando a intervenção dos mortos nas experiências mediúnicas. Quanto a essa última observação, convém lembrar ainda, mais uma vez, que as "correspondências cruzadas" não foram projetadas por vivos, mas propostas pelos mortos com a finalidade de vencer a sempre renascente hesitação de muitos investigadores eminentes, quando se encontram diante da formidável questão: "Personalidades de mortos ou personalidades sonambúlicas?". E as personalidades dos mortos responderam à questão com a prova da "correspondência cruzada", mediante a qual esperavam demonstrar, com base em fatos, sua independência espiritual de quaisquer médiuns pelos quais se manifestavam. Conseguiram? Em boa parte, sim, dado que seus esforços nesse sentido conquistam a cada dia novos adeptos da solução espírita para a grande questão; mas já se compreende que não é fácil demover o misoneísmo estabelecido, principalmente entre os homens de ciência, os quais professaram opiniões materialistas durante toda sua vida. Esses, ao invés de admitir a sobrevivência, preferem se associar aos complexos voos da mais desenfreada fantasia, convertendo-se em poetas da metafísica. (Ver o livro "A Propósito da Introdução à Metapsíquica Humana").

6) A existência de vários casos de "aparições de mortos depois de breve ou longo intervalo após sua morte", fenômeno que, por sua vez, não tem nada em comum com os casos de identificação espírita fundados sobre informações pessoais fornecidas pelos mortos comunicantes, mas que vale igualmente para identificá-los. E isso sempre que os fantasmas desta natureza são vistos, coletivamente e independentemente, por várias pessoas, circunstâncias que valem para eliminar as hipóteses "alucinatória" e "telepática". (Ver o livro "Animismo ou Espiritismo?", "A Morte e o Seu Mistério", vol. 3 [Flammarion], "Tratado de Metapsíquica" [Charles Richet]).

7) A existência de casos em que o morto revela incidentes que não lhe são pessoais, no sentido do termo, durante sua vida terrena, mas que de alguma forma lhe concernem, realizados após sua morte, e são ignorados por todos os vivos, o que não se poderia explicar nem com a telepatia, nem com a clarividência, nem com a psicometria. (Ver os livros "A Propósito da Introdução à Metapsíquica Humana", e "A Morte e o Seu Misterio", vol. 3, [Flammarion]).  

8) A existência de vários casos em que os mortos conseguem se "materializar" perfeitamente, tornando a ser o personagem vivo de antes, e continuando a se materializar por anos, submetendo-se a todas as medidas de controle requeridas pelos métodos de investigação científica. E, nesses últimos tempos, aos casos clássicos de tal natureza, um outro se acrescenta, que a todos iguala pelo rigor dos métodos científicos com os quais foi controlado, assim como se iguala pela reiteração das manifestações, as quais se renovaram e se renovam há alguns anos, enquanto, no que concerne à natureza exemplar da identificação pessoal, reina a comparação com o caso clássico de Estela Livermore. Reservo-me a citá-lo na íntegra mais adiante. (Ver os livros "A Propósito da Introdução à Metapsíquica Humana", "Animismo e Espiritismo" [A. Aksakof], "Fatos Espíritas" [William Crookes], "Tratado de Metapsíquica" [Charles Richet]).

9) A existência dos fenômenos de "xenoglossia" (mediunidade poliglota), em que os médiuns se exprimem numa língua que lhes é totalmente desconhecida; não se trata de o médium reproduzir mecanicamente palavras ou frases ouvidas ou lidas num livro anteriormente, mas de exprimir seus pensamentos, adaptados a situações do momento, numa língua por ele ignorada, conversando, correta e coerentemente com pessoa presente que fala a citada língua, fato inexplicável pela hipermnésia, pela telepatia e pela clarividência. Com efeito, a estrutura orgânica de uma língua é pura abstração, que não se pode ver nem perceber em cérebros alheios. (Ver o livro "Xenoglossia").

Essas são as principais categorias de provas que demonstram a sobrevivência humana, as quais são independentes das provas de identificação espírita fundada em informações pessoais fornecidas pelos mortos; e não se pode negar que tal enumeração basta para demonstrar a inanidade da objeção adversária contra a validade científica e filosófica dos casos de identificação espírita fundados no critério de prova em questão, visto que fora do critério é igualmente possível demonstrar, com base nos fatos, não apenas a existência e sobrevivência do espírito humano, mas o fato preciso das frequentes manifestações de espíritos de mortos em ambiente terreno. 


Observações minhas:

1ª) Às nove categorias de fatos citados por Bozzano, poder-se-ia acrescentar vários casos especiais das seguintes categorias: casas assombradas, psicometria, transportes, obsessão e possessão, literatura de além-túmulo, telecinesia (ou psicocinese) no momento da morte, música transcendental no momento da morte, identificação de espíritos desconhecidos do médium e de todos os presentes.

2ª) O grande psiquista, Dr. Gustavo Geley, diretor do Instituto Metapsíquico Internacional, a propósito das manifestações de espíritos, em sessões mediúnicas, faz as seguintes considerações:
     
     O chamado subconsciente se diz a personalidade de um morto nas sessões espíritas. Esta complicação é verdadeiramente desconcertante e pouco verossímil. Pois que! O subconsciente é portador das maravilhosas faculdades que acabamos de expor (telepatia e clarividência). Ele pode tudo e sabe tudo, é onividente e onisciente, igualando-se, praticamente, à divindade. Mas num ponto ele se engana e nos engana: sobre a sua verdadeira natureza. Por que essa mistificação grosseira e constante? Por que essa mentira inexplicável? Como conciliar os poderes quase divinos, de um lado, com uma desfaçatez pérfida, de outro?
     
     A perplexidade do Dr. Geley pode ser facilmente eliminada se considerarmos que existem dois estados de hipnose ou sonambulismo: o primeiro é o superficial, semelhante ao onírico, em que emerge um "eu" subconsciente, de ordem secundária, que não apresenta nenhum poder paranormal, e que é altamente sugestionável; o segundo é o estado profundo, em que emerge uma fração (ou frações) do "eu" integral subconsciente, apresentando, já, certo poder paranormal, e que não é sugestionável, jamais mascarando-se através da personalidade de um morto (este último é o estado que os antigos magnetizadores chamavam de sonambulismo lúcido). Daí se segue que, quando um pretenso espírito de morto se manifesta, mediunicamente, revelando, a uma pessoa presente, ligada afetivamente ao morto, fatos absolutamente desconhecidos do médium, deve-se concluir pela presença real, no local, do falecido que se manifesta. Vale recordar um texto do grande filósofo e cientista italiano:
     
     As provas da sobrevivência assentam sobre todas as categorias de fenômenos paranormais, que convergem, em bloco, admiravelmente, para um mesmo centro --  a demonstração, rigorosamente científica, da existência e sobrevivência do espírito humano.

115) Acerca dos fenômenos premonitórios

  O filósofo italiano Ernesto Bozzano escreveu a mais completa e documentada obra sobre os fenômenos premonitórios (ou precognitivos). São 3 categorias, divididas, cada uma, em vários subgrupos, constituindo um volume de 469 páginas, e 162 casos ( "Fenômenos Premonitórios", 2ª ed., Edições CELD, 2002).  
     
     Vejamos-lhe a sinopse:   

1ª categoria: Autopremonições de doença ou de morte

Subgrupo A: Autopremonições de doença (1 caso)

Subgrupo B: Autopremonições de morte a curto prazo, em que a morte se deve a causas naturais (casos 2 a 7)

Subgrupo C: Autopremonições de morte a longo prazo, em que a morte se deve a causas naturais (casos 8 a 12)

Subgrupo D: Autopremonições de morte, em que a morte se deve a causas acidentais (casos 13 a 19)

2ª categoria: Premonições de doenças ou de mortes que se referem a terceiros

Subgrupo E: Premonições de doenças de terceiros (caso 20)

Subgrupo F: Premonições de morte de terceiros a curto prazo, em que a morte se deve a causas naturais (casos 21 a 45)

Subgrupo G: Premonições de morte de terceiros a longo prazo, em que a morte se deve a causas naturais (casos 46 a 57)

Subgrupo H: Premonições de morte de terceiros a curto prazo, em que a morte se deve a causas acidentais (casos 58 a 70)

Subgrupo I: Premonições de morte de terceiros a longo prazo, em que a morte se deve a causas acidentais (casos 71 a 77)

Subgrupo J: Premonições de morte produzindo-se tradicionalmente numa mesma família (casos 78 a 81)

3ª categoria: Premonições de acontecimentos diversos

Subgrupo K: Premonições de acontecimentos importantes que não implicam em morte (casos 82 a 111)

Subgrupo L: Premonições de incidentes insignificantes e praticamente inúteis (casos 112 a 125)

Subgrupo M: Premonições meteorológicas e sísmicas (casos 126 a 133)

Subgrupo N: Premonições que salvam (casos 134 a 159)

Subgrupo O: Premonições que determinam o acidente possível (casos 160, 161 e 162)

Vejamos a conclusão do filósofo italiano em seu trabalho:

     Para esgotar nosso tema, só resta encará-lo pelo ponto de vista do positivismo científico, o qual, não admitindo a existência de um espírito que sobrevive à morte do corpo, todo fenômeno premonitório deve, necessariamente, ter sua origem na subconsciência humana. Adotando momentaneamente a tese em questão, começaremos por nos perguntar a que hipótese devemos recorrer para explicar o conjunto, ou mesmo, a maior parte da casuística premonitória.

     Não, certamente, à hipótese das "coincidências fortuitas", com a qual não se chegaria a esclarecer nada, além de alguns raros casos, entre os mais simples e menos interessantes.
     
     Não, certamente, à hipótese de uma "percepção telepática nas subconsciências humanas", porque isto equivaleria a admitir que nelas existiriam traços de acontecimentos futuros, portanto, que esses acontecimentos estariam, de alguma forma, preordenados, o que nos levaria à hipótese reencarnacionista, a qual implicaria na preexistência e sobrevivência do espírito.
     
     Não, certamente, à hipótese de uma "percepção telepática de traços que existiriam no plano astral", já que assim se suporia a existência de uma fatalidade relativa, a qual, a seu turno, implicaria na existência de entidades espirituais prepostas ao governo dos destinos humanos, o que não deixaria de acarretar uma finalidade ultraterrestre.  
     
     Não, certamente, a uma variante da hipótese precedente, segundo a qual os "traços" em questão existiriam no pensamento de Inteligências espirituais que dirigem o curso dos acontecimentos humanos, pensamento que os sensitivos captariam telepaticamente; esta variante subentederia igualmente a concepção espiritualista e a sobrevivência. (...)

     Os partidários do positivismo científico não dispõem, portanto, de nenhuma hipótese capaz de explicar, integralmente ou em parte, a casuística premonitória; isto significa que, negando a existência de um espírito sobrevivente à morte do corpo, estão reduzidos à impossibilidade absoluta de lhe penetrar a origem.   
     Tais as conclusões, rigorosamente lógicas, às quais chegamos através da análise comparada dos fatos. Cabe aos defensores do positivismo provar-me que estou enganado. E desejo que algum dentre eles, no interesse supremo da verdade, dedique-se à prova; neste caso, ficarei feliz em discutir a questão. Não vejo a hora, todavia, de ver meus votos satisfeitos, pois a situação do positivismo materialista, diante da casuística premonitória, pode ser considerada francamente má.

Obs. minha: Nos subgrupos D, H, I e M, há alguns casos que caem sob a rubrica "premonições e autopremonições de morte acidental cujas vítimas não se salvam por tácito ou expresso consentimento da causa operante", que será melhor abordada pelo filósofo italiano no próximo artigo (nº 116, ítem 4). 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

114) Níveis de contato da consciência humana com o mundo psíquico (ou espiritual)

A numeração abaixo indica visualização de níveis ascendentes de consciência humana no mundo psíquico: da experiência cotidiana ou sensorial (1), até o elevado nível da experiência mística do amor integral (6), passando por níveis intermediários (2, 3, 4 e 5). Para formular esses níveis, vali-me, modestamente, de leituras e adaptações dos seguintes livros: "Fenômenos de Bilocação", "Animismo ou Espiritismo?, "Visão Panorâmica ou Memória Sintética na Iminência da Morte" (Ernesto Bozzano), "Experiências Fora do Corpo" (Susan Blackmore), "Vida Depois da Vida" (Raymond Moody Jr.), "A Morte: um Amanhecer" (Elisabeth Kübler-Ross), "A Grande Síntese" e "Ascese Mística" (Pietro Ubaldi), "Vida Sem Morte?" (Nils Jacobson), "O Fim do Materialismo" (Charles Tart).

(Para quem não é versado na ciência da Parapsicologia, observo que o termo PSI, no jargão parapsicológico, refere-se aos fenômenos paranormais denominados telepatia, clarividência, precognição, psicocinese, este último indicando deslocamento de objetos sem contato direto, e cura paranormal). 

1) Experiência Sensorial (percepção exterior, atividade racional permanente, análise fenomênica).

2) Experiências PSI e Mediúnicas.

3) Experiências Fora do Corpo (EFC) e Experiências de Quase Morte (EQM).

4) Experiências de Alta Mediunidade (inspiração, captação de "ondas psíquicas" ou correntes de pensamentos supranormais).

5) Experiência Mística do Conhecimento (percepção interior, intuição supra-racional instantânea, síntese global).

6) Experiência Mìstica do Amor Integral (amor pleno, sentimento de identificação em Deus).

Considerações gerais:

1) Nível que representa a experiência da quase totalidade da humanidade, e aquele em que atua a própria ciência, lançando mão de métodos exteriores de pesquisa (ainda que com auxílio de instrumentos apropriados), da razão e da análise, e chegando, no máximo, a sínteses muito parciais de determinados ramos do conhecimento.

2) Nível que assinala o primeiro passo na rota do paranormal, do mundo psíquico.

3) As EFC são experiências em que a consciência se transporta para fora do corpo, vendo então o próprio corpo adormecido, podendo, em alguns casos, perambular por outros lugares, e, ao retornar ao corpo, mantém a lembrança de tudo que viu e ouviu durante o seu "desdobramento psíquico", também chamado "projeção astral"; as EQM são experiências de pessoas que estiveram à beira da morte, passaram por fenômenos de ordem supranormal (ou espiritual), mas conseguiram sobreviver, guardando a lembrança do que lhes aconteceu durante a experiência em apreço. Quase sempre, os que passaram por tais experiências relatam que sentiram uma indefinível sensação de paz interior, e adquiriram a certeza da existência do espírito humano e de sua independência em relação ao corpo físico. 

4) Nível onde o sensitivo, por inspiração (mediunidade inspirada), é capaz de captar e traduzir ondas de pensamento emitidas por entidades espirituais muito elevadas, sem cair em "transe", permanecendo, na maioria das vezes, passivo, mas consciente; as comunicações de tais entidades chegam a nós através de "ondas psíquicas" ou correntes de pensamento, que podem ser captadas por medianeiros de extrema sensibilidade.

5) Nível de conhecimento em que o sensitivo consegue atingir a fase ativa de intuição supra-racional (percepção interior instantânea, não mais razão), e logra chegar a uma síntese evolutiva global do todo (não mais análise fenomênica, sujeita apenas a sínteses muito parciais, como já foi dito); por outro lado, essa visão sintética global não permite a percepção de minúcias, de pormenores, que só a razão e a análise (isto é, o método científico, que trabalha em contato direto com os fenômenos) consegue fornecer. No futuro, uma humanidade mais evoluída que a atual, deixará de parte o método exterior-racional-analítico-científico, para se concentrar no método interior-intuitivo-sintético-místico. 

6) Nível da Experiência Mística do Amor Integral (que alguns autores chamam de Experiência Místico-Cósmica), uma explosão amorosa, em que a consciência do ser não se sente mais separada, porém integrada ao gigantesco mecanismo da criação, percebe a palpitação da vida e da consciência em todas as criaturas irmãs, com as quais se sente unificada, e tem o sentimento da proximidade, e mesmo de identificação, com a Consciência Cósmica Universal, isto é, Deus. (Creio que este nível é aquele que certos escritores chamam de verdadeiro e próprio "êxtase místico", não súbito ou induzido por drogas, mas provocado pela vontade, que só pouquíssimos indivíduos, dotados de grande iluminação interior, conseguem atingir). 

Notas: 
A) Há um tipo de experiência mística, que se poderia chamar de "vislumbre místico transitório", o qual ocorre de forma espontânea e inesperada, uma única vez na vida (com raríssimas exceções), em indivíduos comuns, que pode guardar semelhanças com a verdadeira experiência místico-cósmica ou do amor integral, mas dela difere porque esta só ocorre em pessoas de grande pureza moral, é provocada e controlada pela sua vontade consciente, além de ser uma comunhão com o divino muito mais duradoura, íntima e profunda do que o "vislumbre místico transitório". Parece-me que este é uma variante das EFC. Seja como for, a passagem de uma pessoa por uma EFC, EQM, ou vislumbre místico, produz mudanças em sua vida, tornando-a, geralmente, mais espiritualizada, e menos apegada a aspectos materiais, conforme mostra a maioria dos relatos obtidos a esse respeito. 

B) Acerca do fenômeno místico, que não é demonstrável cientificamente, porque constitui uma experiência pessoal e intransferível da pessoa que o vivencia, podem-se consultar, para melhor entendimento, os livros "Vida Sem Morte?" (cap. 17), "A Grande Síntese" (caps. 2, 4 e 37) e "Ascese Mística" (caps. 10 e 11).

C) Lembro que tudo isto constitui apenas um ensaio, uma tentativa de abordar o tema em epígrafe, bastante complexo, sujeito, portanto, a falhas, correções e aprimoramentos. Adaptando uma frase do grande físico-matemático, Sir Isaac Newton, Pai da Física Clássica, "somos quais crianças, brincando na areia do mar, que se deleitam por encontrar, aqui e ali, uma pedra mais lisa ou uma concha mais bonita que as demais, enquanto o grande oceano da verdade jaz, indevassável, à nossa frente".  

sexta-feira, 14 de abril de 2017

113) Breve resumo das teorias anti-espíritas, por César Lombroso, e sua refutação, anos depois, por ele mesmo, após meticuloso estudo dos fenômenos.

   Resumo das teorias anti-espíritas

     Examinemos o que ocorre quando há transmissão do pensamento. Em certas condições, muito raras, a energia do movimento cerebral, a que chamamos pensamento, se transmite a uma distância pequena ou considerável. Ora, do mesmo modo que essa energia se transmite, pode também transformar-se, e a energia psíquica pode tornar-se energia motriz (de movimento); há, no cérebro, aglomerações de substância nervosa (centros motores) que presidem os movimentos e que, quando irritados, como nos epilépticos, provocam movimentos muito violentos nos órgãos motores. Objetar-me-ão que, nos fenômenos mediúnicos, esses movimentos não têm, como intermediário, os músculos, que são o meio mais comum de transmissão dos movimentos; mas o pensamento também, nos casos de transmissão, não se serve de seus meios ordinários de comunicação, que são a mão e a laringe. Nesses casos, portanto, o meio de comunicação é o que serve a todas as energias, o próprio espaço, pelo qual se transmitem as ondas luminosas, elétricas, etc.. Não vemos o ímã fazer mover o ferro sem intermediário visível? 
     Nos fatos espíritas, o movimento tem uma forma, aproximando-se mais da volitiva, porque parte de um motor que é, ao mesmo tempo, um centro psíquico: o córtex cerebral. A grande dificuldade consiste em admitir o cérebro como órgão do pensamento e o pensamento como um movimento, porque, em Física, não há dificuldade em admitir-se que as energias se transformam, e que uma energia motriz pode tornar-se luminosa ou calorífica. Por esse motivo, muitas vezes se veem pequenas luzes próximas à cabeça do médium.
     Depois da obra do Sr. Pierre Janet sobre o automatismo inconsciente, não se tem mais que buscar explicar o caso dos médiuns escreventes. Esse médium, que acredita escrever sob o ditado de Tasso ou de Ariosto e que compõe versos indignos de um colegial, age em estado de semi-sonambulismo, no qual, graças à ação preponderante do hemisfério direito, durante a inatividade do esquerdo, ele não tem consciência do que faz, e acredita escrever sob o ditado de um outro. Esse estado de atividade inconsciente explica os movimentos e os gestos que a mão pode fazer, sem que participem disso o resto do corpo e o indivíduo, e que parecem ser o efeito de uma intervenção estranha.
     Muitos fatos espíritas são apenas o efeito da transmissão do pensamento dos assistentes, colocados junto ao médium, ao redor da mesa que, até certo ponto, favorece essa transmissão, pois, como observei outrora, as transmissões chegam mais facilmente quando se está a pequena distância do médium, e melhor para as pessoas que estão em maior contato com ele. A mesa, ao redor da qual se forma a cadeia, é uma causa de fácil contato e uma causa certa de aproximação. Sempre vi os fatos espíritas (deslocamento de objetos, luzes, contato de mãos) darem-se mais frequentemente em torno do médium, ou ao redor das pessoas que estão mais perto dele.
     Quando a mesa dá uma resposta exata (por exemplo, quando ela diz a idade de uma pessoa só por esta conhecida), quando cita um verso em língua que o médium não conhece, o que enche de assombro os profanos, isso sucede porque um dos assistentes conhece essa idade, esse nome, esse verso, e neles fixa o seu pensamento vivamente concentrado na ocasião da sessão, e transmite o seu pensamento ao médium, que o exprime por seus atos, pela palavra, ou pela escrita. Se no círculo formado ao redor da mesa misteriosa, não houver pessoa que saiba o latim, a mesa não fala o latim. O público grosseiro, porém, que não faz esse raciocínio. acredita logo que o médium fala o latim por inspiração dos Espíritos, e crê também que pode conversar com os mortos. Nada mais sendo os mortos que um acúmulo de substâncias inorgânicas, dizer-se isto equivale a pretender que as pedras pensem ou possam falar. (...)
     Durante o chamado "transe" dos médiuns, ocorre a interrupção das funções de alguns centros cerebrais, ao mesmo tempo que o crescimento da atividade de outros centros, especialmente os dos centros motores. Eis aí a causa dos singulares fenômenos mediúnicos. (...) Em momentos de profunda emoção, os moribundos pensam numa pessoa querida e ausente com toda a energia do período pré-agônico, e seu pensamento se transmite àquela pessoa sob a forma de imagem, e aí temos o fantasma a que chamam hoje alucinação verídica ou telepática. (...)
     Por ora, todavia, desconfiemos da pretendida finura de espírito a qual consiste em crer que todos os médiuns são impostores e em supor que só nós somos os sapientes, pois esta absurda pretensão também nos pode afundar no erro.
     
     Turim, 1892.
     Cesare Lombroso.

(Extraído do livro "O Fenômeno Espírita", de Gabriel Delanne, ed. FEB). 


Refutação a esta teoria, pelo próprio Lombroso, anos depois

     Ermacora observou-me que a energia do movimento vibratório decresce na razão do quadrado da distância; desse modo, se se pode explicar a transmissão do pensamento a pequena distância, incompreensíveis se tornam os casos de telepatia de um a outro hemisfério da Terra e que vai atingir os percipientes sem se desviar e sem se desgastar, mantendo um paralelismo por milhares de quilômetros e partindo de um instrumento não instalado sobre uma base imóvel. Quanto às explicações intentadas aos médiuns escreventes, elas de nada serviriam para aqueles que escrevem, ao mesmo tempo, duas comunicações com as duas mãos, e conservam inalterada a sua consciência. Neste caso, os médiuns deveriam ter três ou quatro hemisférios.
     E os casos, diremos crônicos, dos lugares assombrados, nos quais, por muitos anos, às vezes séculos, se repetem as aparições de fantasmas e os ruídos, acompanhados da lenda de mortes trágicas e súbitas que antecederam as aparições, sem a presença de um médium, e que ali perduram não obstante a mudança de inquilinos, enquanto não mais se manifestam nas novas habitações destes, falam contra a ação exclusiva dos médiuns e a favor da ação dos trespassados. (...)

     Os médiuns manifestam, durante o transe, certas energias motrizes, intelectuais e cognitivas, que eles não têm antes, e que só em alguns casos se pode explicar pela transmissão de pensamento dos presentes, pela telepatia, exigindo pois uma explicação especial, qual a de integrar a energia mediúnica com outra energia, ainda que fragmentária e transitória, porém que adquire, por alguns momentos, com a integração do médium, potência superior. Esta energia, da tradição de todos os tempos e de todos os povos, e que agora entrou para a observação experimental, é mostrada na ação resídua dos mortos. (...)

     Lembro aqui que os povos primitivos, que criam nos magos e até os produziam artificialmente, atribuíam grande poder a esses seus médiuns, um poder que se baseava, em mor parte, no conselho e auxílio dos Espíritos. E no poder dos Espíritos dos mortos creem também todos os povos ainda selvagens do mundo (e esta foi a base de todas as religiões), com uma tenacidade e uma uniformidade que deve ser tida, se não como prova, ao menos como um indício importante da verdade. (...)

     O médium não pode apreender e logo manifestar o que sempre ignorou, se não está concentrado no pensamento dos assistentes à sessão, nem, sem a ajuda destes, pode desenvolver uma força muito maior que a sua própria; nem ter a energia que antes não possuía. Assim, quando adivinha o futuro; quando, sem estudos literários, escreve um romance; quando esboça uma escultura sem intervenção, ao menos momentânea, de um escultor; quando dá comunicações ignoradas por todos; quando escreve com os caracteres e com o estilo de falecidos desconhecidos dos presentes; tudo isso ocorre porque, à energia do médium, se associa uma outra que, transitoriamente, dá aos vivos condições que eles não possuem: ler o futuro, improvisar-se artistas, etc.. (...)

     A circunstância de que, em todas as épocas da humanidade, e no seio de todos os povos, sejam eles civilizados, bárbaros ou selvagens, esteve sempre viva a crença em algo invisível, que sobrevive à morte do corpo, e que, sob o influxo de condições especiais, pode manifestar-se aos nossos sentidos, torna-me propenso a aceitar a hipótese espiritualista. Esta crença, nós a encontramos junto de todos os povos selvagens, mesmo entre aqueles tão pouco evoluídos que não têm nenhuma ideia da divindade, ou que a tem extremamente vaga. (...)

     Mas se cada um desses fenômenos nos pode ser ou parecer incerto, o conjunto de todos forma um compacto mosaico de provas resistentes aos ataques da mais severa dúvida.
     
     Turim, 1909.
     Cesare Lombroso.

(Extraído do livro "Hipnotismo e Mediunidade", de Lombroso, ed. FEB).

112) Exemplos de fenômenos paranormais anímicos (continuação do artigo anterior)

     Este artigo é uma sequência do anterior, em que procuro fornecer, pelo menos um exemplo (um, entre milhares) de cada um dos fenômenos paranormais, que Aksakof chamou anímicos (telepatia, clarividência e, eventualmente, precognição). Em nossa língua podem ser encontrados, às centenas, no "Tratado de Metapsíquica", de Charles Richet, em "O Desconhecido e os Problemas Psíquicos" e "A Morte e o Seu Mistério", estes de Camille Flammarion, além de em muitos outros autores. Poucas disciplinas científicas encontram o seu respaldo nos trabalhos de cientistas, filósofos e intelectuais de países tão distintos como: Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Rússia, Polônia, Suíça, etc.. Citemos, mais uma vez, uma lista desses pensadores:
     
     Robert Hare, Enrico Morselli, Cesar de Vesme, William Crookes, Cromwell Varley, Charles Richet, Oliver Lodge, William James, Richard Hodgson, James Hyslop, Russel Wallace, Filippo Bottazzi, Albert de Rochas, Alexander Aksakof, Alexander Butlerov, Friedrich Zöllner, Carl du Prel, Schrenck-Notzing, Elliott Coues, Dale Owen, Epes Sargent, Frederic Myers, Edmond Gurney, Frank Podmore, Henry Sidgwick, William Barrett, Dennis Bradley, W. J. Crawford, Arthur Findlay, Conan Doyle, Camille Flammarion, Paul Gibier, Gustave Geley, Eugène Osty, Alfredo Erny, Eugène Nus, André Pezzani, César Lombroso, Ernesto Bozzano, Julian Ochorowicz, Théodore Flournoy, René Sudre, etc.. 

     A maioria desses pensadores, antes cética, convenceu-se, através dos fatos, da existência e sobrevivência do espírito humano, com exceção de Morselli, Podmore, Osty, Flournoy e Sudre, os quais, embora aceitando a veracidade da fenomenologia parapsicológica, tudo atribuíam aos poderes paranormais da mente. Outros também chancelaram a fenomenologia, mas nunca se definiram claramente, pró ou contra a sobrevivência, como William James, Bottazzi, Sidgwick e Ochorowicz. Quanto ao grande Charles Richet (fundador da Metapsíquica e Prêmio Nobel de Medicina, falecido em 1935), aproximou-se gradualmente da verdade espiritualista, como se depreende pela leitura dos seus livros: "La Grande Esperance", 1933 ("A Grande Esperança", trad.), "Au Seuil du Mystère", 1934 ("No Limiar do Mistério", trad.) e "Au Secours!", 1935 ("Socorro!", sem trad.). É sabida a sua aceitação final da sobrevivência, como se pode constatar pela última carta enviada a seu amigo Ernesto Bozzano, precedida pela palavra confidencial, e publicada após sua morte pelo filósofo italiano. 
     Apenas a título de ilustração, nomearei um único e solitário caso de cada tipo de fenômeno citado no artigo anterior, hauridos nos trabalhos de Richet, "A Grande Esperança", e em seu discurso de despedida da cátedra da Sorbonne (advirto que estes casos estão muito resumidos, e podem ser lidos, com muito mais desenvolvimento e detalhes, no "Tratado de Metapsíquica", e nos livros já citados de Flammarion).  

Telepatia
     No camarote do seu iate, na Índia, o Sr. Frederic Wingfield Baker, ao se deitar, divisa distintamente seu irmão, Richard Wingfield Baker, sentado numa cadeira em frente, pálido e triste. Mas seu irmão inclina a cabeça, sem responder ao seu nome. Era cerca de meia noite. Essa visão foi tão nítida e angustiante que F. W. B. se levantou e saiu do camarote. Escreveu então em sua agenda: "Aparição. Noite de quinta-feira, 20 de março, Richard Wingfield Baker. Deus não o permita".
     Três dias depois, F. W. Baker recebe a notícia de que seu irmão, R. W. Baker, morrera, quinta-feira, dia 20 de março, às 20h30min, na Inglaterra, em seguida a terríveis ferimentos ocasionados por uma queda de cavalo, durante uma caçada. 

Clarividência
     Stephan Ossowietsky não é médium, é um fidalgo polonês, um engenheiro. Tem o poder de ler cartas fechadas, num invólucro absolutamente opaco. Ainda que não goste de demonstrar publicamente esse seu dom, a mim, a Geley e a outros tem dado provas de sua espantosa clarividência.
     Antes de eu partir de Paris para Varsóvia pedi à minha amiga, Sra. de Noailles que escrevesse diferentes frases em três envelopes, cuidadosamente lacrados, cujo conteúdo eu ignoro totalmente. Em Varsóvia, Stephan tomou um, ao acaso, de minhas mãos, e declarou: vou ler este. Depois de haver palpado o envelope entre suas mãos, disse: "É alguma coisa da natureza, dir-se-ia um grande poeta francês. Edmond Rostand. Há muita luz e à noite: são versos do Chantecler ditos pelo Galo".
     Ora, a Sra. de Noailles escrevera: "A noite é que é belo saber que existe a luz. Edmond Rostand. Estes versos do Chantecler são ditos pelo Galo". 

Precognição
     Na Sicília, o cavaleiro Giovanni de Figueroa, presidente do Clube de Esgrima de Palermo, sonha que chega diante de uma pequena casa. Há ali um homem com um grande chapéu preto que o recebe, o faz subir a um quarto por uma escada tortuosa, tendo batido com a mão na garupa de um animal que lhe impedia a passagem. No alto da escada havia um aposento tapetado de milho e cebolas, com uma grande cama de forma bizarra, e três mulheres, sendo uma jovem, outra velha e uma criança. Narrou o seu sonho, muito vivaz, à sua senhora e a outros amigos do Clube de Palermo.
     Alguns meses depois, é chamado como testemunha, para uma questão de honra, e o carro que o conduz, com seus acompanhantes, leva-o a uma aldeia do interior, que nem de nome conhece. Repentinamente, revê todos os pormenores do sonho: a casinha, um homem com um grande chapéu preto que o faz subir por uma tortuosa escada, depois de bater na anca da mula que lhe impedia a passagem. Ele sobe a escada, encontra um quarto abarrotado de milho e cebolas, e, diante de uma grande e bizarra se acham três mulheres, a jovem, a velha e a criança.    

Obs. minha: Cientistas e pesquisadores mais modernos, nos domínios da Parapsicologia, que são do meu conhecimento, podem ser mencionados nas pessoas e obras dos brasileiros Herculano Pires ("Parapsicologia Hoje e Amanhã"), Jayme Cerviño ("Além do Inconsciente") e Hernani G. Andrade ("Morte, Renascimento, Evolução", "Espírito, Perispírito e Alma", "Parapsicologia, Uma Visão Panorâmica", entre outras), além de J. B. Rhine, o fundador da Parapsicologia ("Novas Fronteiras da Mente", "O Alcance do Espírito", "O Novo Mundo do Espírito"), Alfred Still ("Nas Fronteiras da Ciência e da Parapsicologia"), Nils Jacobson (Vida Sem Morte?"), Ian Stevenson ("Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação", "Xenoglossia: Novos Estudos Científicos"), Karl Muller ("Reencarnação Baseada em Fatos"), H. N. Banerjee ("Vida Pretérita e Futura"), Jim Tucker ("Vida Antes da Vida"), George Meek ("O Que Nos Espera Depois da Morte"), Susan Blackmore ("Experiências Fora do Corpo"), Raymond Mood Jr. ("Vida Depois da Vida", "A luz Que Vem do Além"), Elizabeth Kübler-Ross ("A Morte: um Amanhecer", "O Túnel e a Luz"), Andrew Mackenzie ("Fantasmas e Aparições"), Alan Gauld ("Mediunidade e Sobrevivência"), Lawrence LeShan ("De Newton à Percepção Extra Sensorial", "O Médium, o Místico e o Físico"), Scott Rogo ("A Vida Depois da Morte", "A Mente e a Matéria"), Charles Tart ("O Fim do Materialismo"), Stanislav Grof ("A Aventura da Autodescoberta", "Psicologia do Futuro", "Além do Cérebro"). Ideias desses e de outros cientistas e pesquisadores modernos podem ser encontrados nas obras do Prof. Carlos Antônio Fragoso Guimarães, erudito psicólogo e sociólogo paraibano, autor de "Evidências da Sobrevivência", "Jung e os Fenômenos Psíquicos", "Poltergeist: O Dilema da Parapsicologia" e "Estados Diferenciados de Consciência e Mediunidade" (as duas últimas com o Prof. Carlos Alberto Tinoco).

terça-feira, 14 de março de 2017

111) O Espírito humano é independente do organismo físico

  O elucidativo texto abaixo é extraído do livro "Documents pour servir à l'étude de la réincarnation", de autoria do engenheiro Gabriel Delanne:

     Deduz-se, sem nenhuma dúvida, das pesquisas realizadas por grandes cientistas do mundo inteiro, que existe no homem um princípio psíquico, desconhecido dos quadros da fisiologia oficial, porque nos é revelado com faculdades que o tornam, muitas vezes, independente das condições de espaço e de tempo que regem o mundo material. 
     É, pois, certo, que o pensamento de um indivíduo pode exteriorizar-se e agir sobre outro ser vivo, independentemente de qualquer ação sensorial, apesar da distância que os separa. É a este fenômeno que se deu o nome de telepatia. Não é menos certo que a visão à distância (ou clarividência), fora de toda influência telepática, se exerce durante o sono, ligeiro ou profundo, sem recorrer ao sentido ocular, o que pressupõe um poder diferente do puramente fisiológico. Eis-nos, ainda aí, em presença de uma faculdade inteiramente distinta daquelas que os fisiologistas atribuem à substância nervosa.
     Enfim, está estabelecido, por exemplos numerosos e indiscutíveis, que um fenômeno tão extraordinário como o do conhecimento do futuro ou da precognição, foi várias vezes verificado. Tudo prova que existe, no homem, um princípio independente do organismo físico, organismo físico que é rigorosamente condicionado pelas leis que regem o mundo material.
     Isto é tão incontestável que um filósofo da envergadura de Henri Bergson (Prêmio Nobel de Literatura), ousou dizer o seguinte, em recente conferência:

     Se, como parecem indicar os fenômenos paranormais, a vida mental transborda a vida cerebral, se o cérebro se limita a traduzir, em movimentos, apenas uma parte do que se passa no âmago da consciência, a sobrevivência, então, se torna tão verossímil, que a obrigação da prova incumbirá àquele que nega, em vez daquele que afirma, porque a única razão de se crer na extinção da consciência depois da morte, é que se vê o corpo desorganizar, e esta razão não terá mais valor se a independência de grande parte da consciência, em relação ao corpo, é também um fato verificável.

     O texto acima, de Delanne, vem corroborar a tese central do "grande mestre da Ciência da Alma", Ernesto Bozzano, para quem o Animismo (isto é, os fenômenos de telepatia, clarividência e, em certos casos, precognição) prova o Espiritismo, de modo que, sem o Animismo, o Espiritismo careceria de base. Isto se dá porque tais fenômenos (chamados por Aksakof de anímicos), só despontam, esporadicamente, em condições de leve ou profunda inconsciência nos indivíduos, e não se destinam a atuar em ambiente terreno (que não lhes justifica a emergência), mas apenas em ambiente apropriado (depois da crise da morte), onde poderão se exercer normalmente, praticamente e utilmente, de vez que as faculdades da existência espiritual não poderiam ser criadas, súbita e magicamente, do nada, no instante da morte. Daí se segue, afirma Bozzano, que se tais faculdades paranormais não existissem, pré-formadas e em estado latente, na subconsciência humana, dever-se-ia concluir, inapelavelmente, que o espírito humano é aniquilado com a morte do corpo. 
     Veja-se o trabalho do filósofo italiano, publicado originalmente em inglês, "Animism or Spiritualism? Which explains the facts?", portentosa síntese da sua obra de 40 anos.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

110) Extraordinário caso de materialização de uma menina de 6 anos numa sessão familiar em Londres, autenticada por um cético parapsicólogo - artigo de Ernesto Bozzano.

     Exorto os eventuais leitores deste blog, com relação ao texto contido no "link" abaixo, a ler e meditar, com atenção e cuidado, as 25 páginas do mesmo, e ficarão convictos da existência e sobrevivência do espírito humano, ou melhor, neste caso, convictos da persistência do "Eu" espiritual de uma criança de seis anos. E como diz o grande físico, pioneiro da radiocomunicação, Sir Oliver Lodge, em seu livro "Raymond" (tradução de Monteiro Lobato), se posso estabelecer a sobrevivência de um só indivíduo, "ipso facto", tê-la-ei estabelecido para todos. O artigo contido no "link" é de autoria do sábio filósofo e psiquista italiano Ernesto Bozzano.

http://www.autoresespiritasclassicos.com/Autores%20Espiritas%20Classicos%20%20Diversos/Ernesto%20Bozzano/38/Ernesto%20Bozzano%20-%20De%20um%20impressionante%20e%20recente%20caso%20de%20materialização.pdf