sexta-feira, 14 de abril de 2017

113) Breve resumo das teorias anti-espíritas, por César Lombroso, e sua refutação, anos depois, por ele mesmo, após meticuloso estudo dos fenômenos.

   Resumo das teorias anti-espíritas

     Examinemos o que ocorre quando há transmissão do pensamento. Em certas condições, muito raras, a energia do movimento cerebral, a que chamamos pensamento, se transmite a uma distância pequena ou considerável. Ora, do mesmo modo que essa energia se transmite, pode também transformar-se, e a energia psíquica pode tornar-se energia motriz (de movimento); há, no cérebro, aglomerações de substância nervosa (centros motores) que presidem os movimentos e que, quando irritados, como nos epilépticos, provocam movimentos muito violentos nos órgãos motores. Objetar-me-ão que, nos fenômenos mediúnicos, esses movimentos não têm, como intermediário, os músculos, que são o meio mais comum de transmissão dos movimentos; mas o pensamento também, nos casos de transmissão, não se serve de seus meios ordinários de comunicação, que são a mão e a laringe. Nesses casos, portanto, o meio de comunicação é o que serve a todas as energias, o próprio espaço, pelo qual se transmitem as ondas luminosas, elétricas, etc.. Não vemos o ímã fazer mover o ferro sem intermediário visível? 
     Nos fatos espíritas, o movimento tem uma forma, aproximando-se mais da volitiva, porque parte de um motor que é, ao mesmo tempo, um centro psíquico: o córtex cerebral. A grande dificuldade consiste em admitir o cérebro como órgão do pensamento e o pensamento como um movimento, porque, em Física, não há dificuldade em admitir-se que as energias se transformam, e que uma energia motriz pode tornar-se luminosa ou calorífica. Por esse motivo, muitas vezes se veem pequenas luzes próximas à cabeça do médium.
     Depois da obra do Sr. Pierre Janet sobre o automatismo inconsciente, não se tem mais que buscar explicar o caso dos médiuns escreventes. Esse médium, que acredita escrever sob o ditado de Tasso ou de Ariosto e que compõe versos indignos de um colegial, age em estado de semi-sonambulismo, no qual, graças à ação preponderante do hemisfério direito, durante a inatividade do esquerdo, ele não tem consciência do que faz, e acredita escrever sob o ditado de um outro. Esse estado de atividade inconsciente explica os movimentos e os gestos que a mão pode fazer, sem que participem disso o resto do corpo e o indivíduo, e que parecem ser o efeito de uma intervenção estranha.
     Muitos fatos espíritas são apenas o efeito da transmissão do pensamento dos assistentes, colocados junto ao médium, ao redor da mesa que, até certo ponto, favorece essa transmissão, pois, como observei outrora, as transmissões chegam mais facilmente quando se está a pequena distância do médium, e melhor para as pessoas que estão em maior contato com ele. A mesa, ao redor da qual se forma a cadeia, é uma causa de fácil contato e uma causa certa de aproximação. Sempre vi os fatos espíritas (deslocamento de objetos, luzes, contato de mãos) darem-se mais frequentemente em torno do médium, ou ao redor das pessoas que estão mais perto dele.
     Quando a mesa dá uma resposta exata (por exemplo, quando ela diz a idade de uma pessoa só por esta conhecida), quando cita um verso em língua que o médium não conhece, o que enche de assombro os profanos, isso sucede porque um dos assistentes conhece essa idade, esse nome, esse verso, e neles fixa o seu pensamento vivamente concentrado na ocasião da sessão, e transmite o seu pensamento ao médium, que o exprime por seus atos, pela palavra, ou pela escrita. Se no círculo formado ao redor da mesa misteriosa, não houver pessoa que saiba o latim, a mesa não fala o latim. O público grosseiro, porém, que não faz esse raciocínio. acredita logo que o médium fala o latim por inspiração dos Espíritos, e crê também que pode conversar com os mortos. Nada mais sendo os mortos que um acúmulo de substâncias inorgânicas, dizer-se isto equivale a pretender que as pedras pensem ou possam falar. (...)
     Durante o chamado "transe" dos médiuns, ocorre a interrupção das funções de alguns centros cerebrais, ao mesmo tempo que o crescimento da atividade de outros centros, especialmente os dos centros motores. Eis aí a causa dos singulares fenômenos mediúnicos. (...) Em momentos de profunda emoção, os moribundos pensam numa pessoa querida e ausente com toda a energia do período pré-agônico, e seu pensamento se transmite àquela pessoa sob a forma de imagem, e aí temos o fantasma a que chamam hoje alucinação verídica ou telepática. (...)
     Por ora, todavia, desconfiemos da pretendida finura de espírito a qual consiste em crer que todos os médiuns são impostores e em supor que só nós somos os sapientes, pois esta absurda pretensão também nos pode afundar no erro.
     
     Turim, 1892.
     Cesare Lombroso.

(Extraído do livro "O Fenômeno Espírita", de Gabriel Delanne, ed. FEB). 


Refutação a esta teoria, pelo próprio Lombroso, anos depois

     Ermacora observou-me que a energia do movimento vibratório decresce na razão do quadrado da distância; desse modo, se se pode explicar a transmissão do pensamento a pequena distância, incompreensíveis se tornam os casos de telepatia de um a outro hemisfério da Terra e que vai atingir os percipientes sem se desviar e sem se desgastar, mantendo um paralelismo por milhares de quilômetros e partindo de um instrumento não instalado sobre uma base imóvel. Quanto às explicações intentadas aos médiuns escreventes, elas de nada serviriam para aqueles que escrevem, ao mesmo tempo, duas comunicações com as duas mãos, e conservam inalterada a sua consciência. Neste caso, os médiuns deveriam ter três ou quatro hemisférios.
     E os casos, diremos crônicos, dos lugares assombrados, nos quais, por muitos anos, às vezes séculos, se repetem as aparições de fantasmas e os ruídos, acompanhados da lenda de mortes trágicas e súbitas que antecederam as aparições, sem a presença de um médium, e que ali perduram não obstante a mudança de inquilinos, enquanto não mais se manifestam nas novas habitações destes, falam contra a ação exclusiva dos médiuns e a favor da ação dos trespassados. (...)

     Os médiuns manifestam, durante o transe, certas energias motrizes, intelectuais e cognitivas, que eles não têm antes, e que só em alguns casos se pode explicar pela transmissão de pensamento dos presentes, pela telepatia, exigindo pois uma explicação especial, qual a de integrar a energia mediúnica com outra energia, ainda que fragmentária e transitória, porém que adquire, por alguns momentos, com a integração do médium, potência superior. Esta energia, da tradição de todos os tempos e de todos os povos, e que agora entrou para a observação experimental, é mostrada na ação resídua dos mortos. (...)

     Lembro aqui que os povos primitivos, que criam nos magos e até os produziam artificialmente, atribuíam grande poder a esses seus médiuns, um poder que se baseava, em mor parte, no conselho e auxílio dos Espíritos. E no poder dos Espíritos dos mortos creem também todos os povos ainda selvagens do mundo (e esta foi a base de todas as religiões), com uma tenacidade e uma uniformidade que deve ser tida, se não como prova, ao menos como um indício importante da verdade. (...)

     O médium não pode apreender e logo manifestar o que sempre ignorou, se não está concentrado no pensamento dos assistentes à sessão, nem, sem a ajuda destes, pode desenvolver uma força muito maior que a sua própria; nem ter a energia que antes não possuía. Assim, quando adivinha o futuro; quando, sem estudos literários, escreve um romance; quando esboça uma escultura sem intervenção, ao menos momentânea, de um escultor; quando dá comunicações ignoradas por todos; quando escreve com os caracteres e com o estilo de falecidos desconhecidos dos presentes; tudo isso ocorre porque, à energia do médium, se associa uma outra que, transitoriamente, dá aos vivos condições que eles não possuem: ler o futuro, improvisar-se artistas, etc.. (...)

     A circunstância de que, em todas as épocas da humanidade, e no seio de todos os povos, sejam eles civilizados, bárbaros ou selvagens, esteve sempre viva a crença em algo invisível, que sobrevive à morte do corpo, e que, sob o influxo de condições especiais, pode manifestar-se aos nossos sentidos, torna-me propenso a aceitar a hipótese espiritualista. Esta crença, nós a encontramos junto de todos os povos selvagens, mesmo entre aqueles que não têm nenhuma ideia da divindade, ou que a tem extremamente vaga. (...)

     Mas se cada um desses fenômenos nos pode ser ou parecer incerto, o conjunto de todos forma um compacto mosaico de provas resistentes aos ataques da mais severa dúvida.
     
     Turim, 1909.
     Cesare Lombroso.

(Extraído do livro "Hipnotismo e Mediunidade", de Lombroso, ed. FEB).

112) Exemplos de fenômenos paranormais anímicos (continuação do artigo anterior)

     Este artigo é uma sequência do anterior, em que procuro fornecer, pelo menos um exemplo (um, entre milhares) de cada um dos fenômenos paranormais, que Aksakof chamou anímicos (telepatia, clarividência e, eventualmente, precognição). Em nossa língua podem ser encontrados, às centenas, no "Tratado de Metapsíquica", de Charles Richet, em "O Desconhecido e os Problemas Psíquicos" e "A Morte e o Seu Mistério", estes de Camille Flammarion, além de em muitos outros autores. Poucas disciplinas científicas encontram o seu respaldo nos trabalhos de cientistas, filósofos e intelectuais de países tão distintos como: Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Rússia, Polônia, Suíça, etc.. Citemos, mais uma vez, uma lista desses pensadores:
     
     Robert Hare, Enrico Morselli, Cesar de Vesme, William Crookes, Cromwell Varley, Charles Richet, Oliver Lodge, William James, Richard Hodgson, James Hyslop, Russel Wallace, Filippo Bottazzi, Albert de Rochas, Alexander Aksakof, Alexander Butlerov, Friedrich Zöllner, Carl du Prel, Schrenck-Notzing, Elliott Coues, Dale Owen, Epes Sargent, Frederic Myers, Edmond Gurney, Frank Podmore, Henry Sidgwick, William Barrett, Dennis Bradley, W. J. Crawford, Arthur Findlay, Conan Doyle, Camille Flammarion, Paul Gibier, Gustave Geley, Eugène Osty, Alfredo Erny, Eugène Nus, André Pezzani, César Lombroso, Ernesto Bozzano, Julian Ochorowicz, Théodore Flournoy, René Sudre, J. B. Rhine (fundador da Parapsicologia), etc.. 

     A maioria desses pensadores, antes cética, convenceu-se, através dos fatos, da existência e sobrevivência do espírito humano, com exceção de Morselli, Podmore, Osty, Flournoy e Sudre, os quais, embora aceitando a veracidade da fenomenologia parapsicológica, tudo atribuíam aos poderes paranormais da mente. Outros também chancelaram a fenomenologia, mas nunca se definiram claramente, pró ou contra a sobrevivência, como William James, Bottazzi, Sidgwick, Ochorowicz e Rhine. Quanto ao grande Charles Richet (fundador da Metapsíquica e Prêmio Nobel de Medicina, falecido em 1935), aproximou-se gradualmente da verdade espiritualista, como se depreende pela leitura dos seus livros: "La Grande Esperance", 1933 ("A Grande Esperança", trad.), "Au Seuil du Mystère", 1934 ("No Limiar do Mistério", trad.) e "Au Secours!", 1935 ("Socorro!", sem trad.). É sabida a sua aceitação final da sobrevivência, como se pode constatar pela última carta enviada a seu amigo Ernesto Bozzano, precedida pela palavra confidencial, e publicada após sua morte pelo filósofo italiano. 
     Apenas a título de ilustração, nomearei um único e solitário caso de cada tipo de fenômeno citado no artigo anterior, hauridos nos trabalhos de Richet, "A Grande Esperança", e em seu discurso de despedida da cátedra da Sorbonne (advirto que estes casos estão muito resumidos, e podem ser lidos, com muito mais desenvolvimento e detalhes, no "Tratado de Metapsíquica", e nos livros já citados de Flammarion).  

Telepatia
     No camarote do seu iate, na Índia, o Sr. Frederic Wingfield Baker, ao se deitar, divisa distintamente seu irmão, Richard Wingfield Baker, sentado numa cadeira em frente, pálido e triste. Mas seu irmão inclina a cabeça, sem responder ao seu nome. Era cerca de meia noite. Essa visão foi tão nítida e angustiante que F. W. B. se levantou e saiu do camarote. Escreveu então em sua agenda: "Aparição. Noite de quinta-feira, 20 de março, Richard Wingfield Baker. Deus não o permita".
     Três dias depois, F. W. Baker recebe a notícia de que seu irmão, R. W. Baker, morrera, quinta-feira, dia 20 de março, às 20h30min, na Inglaterra, em seguida a terríveis ferimentos ocasionados por uma queda de cavalo, durante uma caçada. 

Clarividência
     Stephan Ossowietsky não é médium, é um fidalgo polonês, um engenheiro. Tem o poder de ler cartas fechadas, num invólucro absolutamente opaco. Ainda que não goste de demonstrar publicamente esse seu dom, a mim, a Geley e a outros tem dado provas de sua espantosa clarividência.
     Antes de eu partir de Paris para Varsóvia pedi à minha amiga, Sra. de Noailles que escrevesse diferentes frases em três envelopes, cuidadosamente lacrados, cujo conteúdo eu ignoro totalmente. Em Varsóvia, Stephan tomou um, ao acaso, de minhas mãos, e declarou: vou ler este. Depois de haver palpado o envelope entre suas mãos, disse: "É alguma coisa da natureza, dir-se-ia um grande poeta francês. Edmond Rostand. Há muita luz e à noite: são versos do Chantecler ditos pelo Galo".
     Ora, a Sra. de Noailles escrevera: "A noite é que é belo saber que existe a luz. Edmond Rostand. Estes versos do Chantecler são ditos pelo Galo". 

Precognição
     Na Sicília, o cavaleiro Giovanni de Figueroa, presidente do Clube de Esgrima de Palermo, sonha que chega diante de uma pequena casa. Há ali um homem com um grande chapéu preto que o recebe, o faz subir a um quarto por uma escada tortuosa, tendo batido com a mão na garupa de um animal que lhe impedia a passagem. No alto da escada havia um aposento tapetado de milho e cebolas, com uma grande cama de forma bizarra, e três mulheres, sendo uma jovem, outra velha e uma criança. Narrou o seu sonho, muito vivaz, à sua senhora e a outros amigos do Clube de Palermo.
     Alguns meses depois, é chamado como testemunha, para uma questão de honra, e o carro que o conduz, com seus acompanhantes, leva-o a uma aldeia do interior, que nem de nome conhece. Repentinamente, revê todos os pormenores do sonho: a casinha, um homem com um grande chapéu preto que o faz subir por uma tortuosa escada, depois de bater na anca da mula que lhe impedia a passagem. Ele sobe a escada, encontra um quarto abarrotado de milho e cebolas, e, diante de uma grande e bizarra se acham três mulheres, a jovem, a velha e a criança.    

Obs. minha: Cientistas e pesquisadores mais modernos, nos domínios da Parapsicologia, que são do meu conhecimento, podem ser mencionados nas pessoas e obras dos brasileiros Herculano Pires ("Parapsicologia Hoje e Amanhã"), Jayme Cerviño ("Além do Inconsciente") e Hernani G. Andrade ("Morte, Renascimento, Evolução", "Espírito, Perispírito e Alma", "Parapsicologia, Uma Visão Panorâmica", entre outras), além de Alfred Still ("Nas Fronteiras da Ciência e da Parapsicologia"), Nils Jacobson (Vida Sem Morte?"), Ian Stevenson ("Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação", "Xenoglossia: Novos Estudos Científicos"), Karl Muller ("Reencarnação Baseada em Fatos"), H. N. Banerjee ("Vida Pretérita e Futura"), George Meek ("O Que Nos Espera Depois da Morte"), Raymond Mood Jr. ("Vida Depois da Vida", "A luz Que Vem do Além"), Elizabeth Kübler-Ross ("Sobre a Morte e o Morrer", "O Túnel e a Luz"), Charles Tart ("O Fim do Materialismo"), Stanislav Grof ("A Aventura da Autodescoberta", "Psicologia do Futuro", "Além do Cérebro"). Muitos outros cientistas e pesquisadores modernos podem ser encontrados nas obras do Prof. Carlos Antônio Fragoso Guimarães, erudito psicólogo e sociólogo paraibano, autor de "Evidências da Sobrevivência", "Jung e os Fenômenos Psíquicos", "Poltergeist: O Dilema da Parapsicologia" e "Estados Diferenciados de Consciência e Mediunidade" (as duas últimas com o Prof. Carlos Alberto Tinoco).

terça-feira, 14 de março de 2017

111) O Espírito humano é independente do organismo físico

  O elucidativo texto abaixo é extraído do livro "Documents pour servir à l'étude de la réincarnation", de autoria do engenheiro Gabriel Delanne:

     Deduz-se, sem nenhuma dúvida, das pesquisas realizadas por grandes cientistas do mundo inteiro, que existe no homem um princípio psíquico, desconhecido dos quadros da fisiologia oficial, porque nos é revelado com faculdades que o tornam, muitas vezes, independente das condições de espaço e de tempo que regem o mundo material. 
     É, pois, certo, que o pensamento de um indivíduo pode exteriorizar-se e agir sobre outro ser vivo, independentemente de qualquer ação sensorial, apesar da distância que os separa. É a este fenômeno que se deu o nome de telepatia. Não é menos certo que a visão à distância (ou clarividência), fora de toda influência telepática, se exerce durante o sono, ligeiro ou profundo, sem recorrer ao sentido ocular, o que pressupõe um poder diferente do puramente fisiológico. Eis-nos, ainda aí, em presença de uma faculdade inteiramente distinta daquelas que os fisiologistas atribuem à substância nervosa.
     Enfim, está estabelecido, por exemplos numerosos e indiscutíveis, que um fenômeno tão extraordinário como o do conhecimento do futuro ou da precognição, foi várias vezes verificado. Tudo prova que existe, no homem, um princípio independente do organismo físico, organismo físico que é rigorosamente condicionado pelas leis que regem o mundo material.
     Isto é tão incontestável que um filósofo da envergadura de Henri Bergson (Prêmio Nobel de Literatura), ousou dizer o seguinte, em recente conferência:

     Se, como parecem indicar os fenômenos paranormais, a vida mental transborda a vida cerebral, se o cérebro se limita a traduzir, em movimentos, apenas uma parte do que se passa no âmago da consciência, a sobrevivência, então, se torna tão verossímil, que a obrigação da prova incumbirá àquele que nega, em vez daquele que afirma, porque a única razão de se crer na extinção da consciência depois da morte, é que se vê o corpo desorganizar, e esta razão não terá mais valor se a independência de grande parte da consciência, em relação ao corpo, é também um fato verificável.

     O texto acima, de Delanne, vem corroborar a tese central do "grande mestre da Ciência da Alma", Ernesto Bozzano, para quem o Animismo (isto é, os fenômenos de telepatia, clarividência e, em certos casos, precognição) prova o Espiritismo, de modo que, sem o Animismo, o Espiritismo careceria de base. Isto se dá porque tais fenômenos (chamados por Aksakof de anímicos), só despontam, esporadicamente, em condições de leve ou profunda inconsciência nos indivíduos, e não se destinam a atuar em ambiente terreno (que não lhes justifica a emergência), mas apenas em ambiente apropriado (depois da crise da morte), onde poderão se exercer normalmente, praticamente e utilmente, de vez que as faculdades da existência espiritual não poderiam ser criadas, súbita e magicamente, do nada, no instante da morte. Daí se segue, afirma Bozzano, que se tais faculdades paranormais não existissem, pré-formadas e em estado latente, na subconsciência humana, dever-se-ia concluir, inapelavelmente, que o espírito humano é aniquilado com a morte do corpo. 
     Veja-se o trabalho do filósofo italiano, publicado originalmente em inglês, "Animism or Spiritualism? Which explains the facts?", portentosa síntese da sua obra de 40 anos.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

110) Extraordinário caso de materialização de uma menina de 6 anos numa sessão familiar em Londres, autenticada por um cético parapsicólogo - artigo de Ernesto Bozzano.

     Exorto os eventuais leitores deste blog, com relação ao texto contido no "link" abaixo, a ler e meditar, com atenção e cuidado, as 25 páginas do mesmo, e ficarão convictos da existência e sobrevivência do espírito humano, ou melhor, neste caso, convictos da persistência do "Eu" espiritual de uma criança de seis anos. E como diz o grande físico, pioneiro da radiocomunicação, Sir Oliver Lodge, em seu livro "Raymond" (tradução de Monteiro Lobato), se posso estabelecer a sobrevivência de um só indivíduo, "ipso facto", tê-la-ei estabelecido para todos. O artigo contido no "link" é de autoria do sábio filósofo e psiquista italiano Ernesto Bozzano.

http://www.autoresespiritasclassicos.com/Autores%20Espiritas%20Classicos%20%20Diversos/Ernesto%20Bozzano/38/Ernesto%20Bozzano%20-%20De%20um%20impressionante%20e%20recente%20caso%20de%20materialização.pdf

segunda-feira, 27 de abril de 2015

109) A filosofia hinduísta

O Ouroboros da Antiguidade

     Escreve o grande vulgarizador científico, médico e cientista judeu-alemão, Dr. Fritz Kahn (1888-1968):     
     "Jamais foi elaborada uma doutrina, abrangendo a ciência e a ética, como a filosofia dos antigos indianos. Schopenhauer celebrou a tradução dos Upanixades como o maior acontecimento espiritual do século dezenove."
     "Os hindus imaginam o mundo repleto de uma energia cósmica primária, a que chamam "Brama", que tem, no pensamento deles, o mesmo significado que Deus no Velho Testamento. O que se segue deve ser lido não uma, mas três vezes e lentamente, de viva voz, pois é o que de mais belo foi dito acerca da essência do universo:"
      
     "No princípio não havia nem o ser nem o não-ser. Não existia o ar, nem o céu sobre ele; não existia a água, nem as alturas, nem os abismos. Ainda não havia diferença entre o dia e a noite, nem entre a vida e a morte. Era escuro, e a escuridão ocultava o o princípio da criação. Só um existia, e nada além dele: Brama. Mas ele ainda não tinha nenhum movimento. Nem os deuses* existiam ainda, pois os deuses só mais tarde chegaram ao mundo. Por isso, ninguém conhece a origem de Brama, nem os deuses a conhecem. Mas foram os sábios** que descobriram a relação entre o ser de agora com o não ser de outrora."
     "Invisível é, ó Brama, e, todavia, está em toda parte. A mão não pode contê-lo, mas ele tudo abrange. Não pode ser visto, mas é dele que vem a luz. Ninguém o pode sentir, mas todo sentir dele provém. Por transformações sucessivas, dele nasce tudo o que existe e acontece, mas ele permanece sempre o mesmo. Nada o surpreende, e nenhuma palavra diz, seja a que respeito for. Tudo vê e tudo permite que aconteça. Tudo criado por ele é inquietação, mas ele mesmo permanece tranquilo. Assim como todas as coisas dele surgiram, assim a ele todas regressam***; por isso é paciente e tranquilo."
(Fritz Kahn, O Livro da Natureza, vol. 1, Edições Melhoramentos, 1966, págs. 25 e 26).

Observações minhas:

-- *A palavra deuses indica, no caso, a geração dos primeiros espíritos criados por Brama, antes da criação do mundo. (Uma possível explicação para este "perturbador mistério", como dizia Bozzano, sem nenhuma pretensão de infalibilidade, pode ser encontrada nos 7 primeiros artigos deste modesto blog).

-- **Os sábios de que fala o texto eram os estudiosos da "doutrina secreta", os iniciados nos mistérios dos templos da Índia e dos povos antigos. A esse respeito diz Léon Denis: "Levantando-se o véu exterior e brilhante que ocultava às massas os grandes mistérios, penetrando-se nos santuários da ideia religiosa, verificamos que as formas materiais, as cerimônias extravagantes dos cultos tinham por fim chocar a imaginação do povo. Por trás desses véus, as religiões antigas apareciam sob aspecto diverso, revestiam caráter grave e elevado, simultaneamente científico e filosófico. Seu ensino era duplo: exterior e público de um lado, interior e secreto de outro, e, neste caso, reservado somente aos iniciados. (...) Todos os ensinos religiosos do passado, o Bramanismo na Índia, o Hermetismo no Egito, o Politeísmo grego, o próprio Cristianismo em sua origem, têm uma ligação oculta, porque em sua base se encontra uma só e mesma doutrina, transmitida de idade em idade, a uma série ininterrupta de sábios e pensadores." (Léon Denis, Depois da Morte, ed. FEB, 1958, págs. 13 e 14).
     
     Por sua vez, Gabriel Delanne escreve: "No Evangelho de S. João, um senador judeu, o fariseu Nicodemos, pede a Jesus explicações sobre o dogma da vida futura. Jesus responde: Em verdade, em verdade te digo, ninguém verá o reino de Deus se não nascer de novo."
     "Nicodemos, perturbado por esta resposta, porque a tomou em seu sentido material, indagou: -- Como pode um homem nascer sendo velho? Pode, porventura, entrar no seio de sua mãe e nascer segunda vez? Jesus respondeu: -- Em verdade, em verdade te digo, que se alguém não nascer da água (obs. minha: água era, para os antigos, o elemento gerador da matéria, como se depreende das palavras iniciais do Gênesis bíblico) e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. Não te maravilhes de te dizer que é necessário nascer de novo: o espírito sopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. (...)
     -- Como pode ser isto? Jesus respondeu: -- Como? Tu és mestre em Israel e ignoras isto?
     "Esta última observação do Cristo mostra bem que ele se surpreendeu não conhecesse um mestre em Israel a doutrina reencarnacionista, porque ela era ensinada como doutrina secreta aos intelectuais da época."
(Gabriel Delanne, A Reencarnação, ed. FEB, 2006, pág. 27).

Nota: Para maior esclarecimento, ver o livro "Os Grandes Iniciados", de Édouard Schuré.

-- ***Esta ideia de que Brama é tudo, e que tudo sai dele para mais tarde voltar a ele, formando um ciclo completo que se abre e fecha sobre si mesmo, como a serpente que se dobra em círculo e morde o próprio rabo (o Ouroboros da Antiguidade, que simboliza o ciclo completo das coisas, o Eterno Retorno), convalida a teoria de Deus-Energia Cósmica do filósofo Ernesto Bozzano, e sua concepção panteístico-espiritualista do Universo, como a mais convinhável para explicar o grande enigma da existência do mesmo. (Ver artigos 8, 9, 10 e 11 deste blog).
     
     Para finalizar, um ponto importante da filosofia hinduísta, de a sabedoria consistir no fato da criatura pairar acima dos acontecimentos da existência, quer bons, quer ruins (Fritz Kahn, obra citada, pág. 26):

Se a posse de um mundo perdeste,
Não sofras por isto... não importa!
Se a posse de um mundo ganhaste,
Não te alegres por isto... não importa!
Passam as dores e os prazeres,
E tu pelo mundo passas... não importa!

terça-feira, 24 de março de 2015

108) Analogia entre o espectro luminoso e a consciência humana, por Frederic Myers

 
Frederic Myers

     Se, por um prisma de vidro, atravessarmos um estreito feixe de luz solar (repetindo o famoso experimento de Sir Isaac Newton), aquele será decomposto nas cores do arco íris, formando o espectro luminoso visível; quem já viu esses espectro, contemplou na realidade toda a extensão da luz visível, pois o olho humano só é sensível a uma estreita faixa de radiações, situadas entre o vermelho e o violeta, de frequência mais elevada que o vermelho. Uma pequena diferença de frequências separa a visibilidade da invisibilidade. 
     Mas o Sol ainda emite outras espécies de radiações. Na região de frequência ainda mais baixa, aquém do vermelho espectral, estão os raios infravermelhos, que já não podem excitar a retina para dar a sensação de luz, embora a pele os sinta sob a forma de calor. Do mesmo modo, na região de frequência ainda mais alta, além do violeta, estão os raios ultravioleta, de elevada frequência para serem percebidos por nossos olhos, mas que podem ser registrados por uma placa fotográfica e possuem uma ação actínica.
     
     Na sua grande obra "A Personalidade Humana", o literato e psicólogo de Cambridge, Frederic Myers, estabelece uma importante analogia entre o espectro luminoso visível e a consciência humana, aquela que conhecemos e sentimos em nosso dia a dia, a consciência normal, que ele chama de consciência supraliminar. Fora dessa consciência, há o que os psicólogos chamam de inconsciente, e que Myers prefere denominar consciência subliminar. Assim, estamos autorizados a falar em um "Eu" supraliminar (consciente), e em um "Eu" subliminar (inconsciente).
    
     Analogamente, fora do espectro visível, existem os raios infravermelhos (aquém do vermelho), e os ultravioleta (além do violeta).

     De acordo com a analogia de Myers, correspondendo à região do infravermelho, de baixa frequência, estariam as chamadas "personalidades segundas", provocadas por sugestão (como no hipnotismo), ou espontâneas (por autossugestão), os sonhos ordinários, os estados mórbidos, as dissociações da personalidade, etc..
     Seguindo a mesma analogia, do outro lado do espectro, correspondendo à região do ultravioleta, de alta frequência, estariam as inspirações do gênio, o êxtase dos místicos, as faculdades paranormais da mente (memória integral, telepatia, clarividência e, às vezes, precognição).
     

     No primeiro caso teríamos a emersão do "Eu" subliminar inferior, altamente sugestionável, ligado ao funcionamento de centros cerebrais primitivos, ordinariamente inconscientes.     
     No segundo caso, teríamos a emersão de uma fração ou frações do "Eu" subliminar superior, onde, muitas vezes, já repontam as faculdades paranormais, e que não é sugestionável. Na sua inteireza, ele representaria o "Eu" espiritual, preexistente e sobrevivente à morte do corpo

quarta-feira, 18 de março de 2015

107) Os fenômenos anímicos já são, por si sós, suficientes para provar a sobrevivência humana, sem necessidade de recorrer aos fenômenos espíritas


Já tive ocasião de mencionar que os chamados fenômenos anímicos (denominação dada pelo sábio russo A. Aksakof) são aqueles produzidos pelo Espírito humano na sua condição de encarnado, em momentos raros e excepcionais de emancipação transitória de sua "prisão corporal", isto é, durante determinadas fases do sono natural, sono hipnótico, sonambúlico, êxtase, desmaio, delíquio, narcose, coma, etc.. Tais fenômenos são: memória integral, telepatia, clarividência e, mais raramente, precognição (ou premonição). Não há, no caso específico dessa fenomenologia, nenhuma ligação ou vinculação ao Espírito de pessoas falecidas. 

O filósofo Ernesto Bozzano respalda a tese de que essa casuística é fundamental para a demonstração da existência e sobrevivência do Espírito humano, não cabendo aos fenômenos espíritas propriamente ditos senão a adução da prova complementar (embora de si importante) da mesma demonstração.

Vejamos o que nos diz o pensador italiano em sua obra "A Propósito da Introdução à Metapsíquica Humana" (ed. FEB, 1992): (fiz pequenas modificações no texto, sem alterar-lhe o sentido, para adaptá-lo aos objetivos do blog).

Do lado psicofisiológico das manifestações anímicas, os defensores da hipótese espírita partem dos fenômenos de exteriorização da motricidade (telecinesia) e da sensibilidade para aqueles em que a telecinesia se entrelaça com o da passagem da matéria através da matéria, fenômeno que por sua vez se prende ao da desintegração a distância, transporte e reintegração instantânea de um objeto qualquer durante a sessão.
Nesse estudo os espíritas põem em ação os métodos de análise comparada, aproximando e ligando os ditos fenômenos aos da ideoplastia propriamente dita, em que a matéria somática do organismo do médium, exteriorizada sob forma fluídica ou semifluídica, se concretiza em um membro, em uma cabeça, em uma forma organizada, com o auxílio da vontade subconsciente do médium, compreendendo nesta série todas as manifestações anímicas de uma mesma ordem, que não diferem uma da outra senão pela gradação evolutiva e que respectivamente demonstram:

1º)   que a sensibilidade e a motricidade podem ser separadas dos sistemas nervoso e muscular;

2º)   que a subconsciente vontade humana tem o poder de desintegrar, a distância, e de transportar e de reintegrar a matéria;

3º)   que essa mesma vontade possui a faculdade de converter o organismo humano na substância amorfa e primitiva que o compõe, para, em seguida, empregá-la em reorganizar membros humanos, rostos e organismos também humanos, perfeitos e independentes do médium. Esse conjunto de faculdades naturalmente leva a inferir-se que o organismo humano deve resultar, por seu turno, de um produto dessas mesmas forças e faculdades exteriorizáveis, dominando a matéria inanimada, organizando a matéria somática, forças e faculdades dirigidas por uma vontade subconsciente de natureza transcendental. Em outros termos, esse conjunto leva logicamente a concluir-se que o espírito organiza o corpo e de modo nenhum o corpo organizado engendra o espírito, como afirmam os representantes da ciência oficial.

Nesse sentido, a obra magistral do Dr. Gustave Geley, De l’Inconscient au Conscient, é inteiramente consagrada à demonstração científica desta verdade básica. Escreve ele:

“A noção da ideoplastia imposta pelos fatos é capital: a idéia não mais é uma dependência, um produto da matéria; é a idéia, pelo contrário, que modela a matéria, transmitindo-lhe a forma e os atributos.” (Pág. 699.)

Não nos esqueçamos, portanto, de que essas primeiras conclusões, rigorosamente fundadas nos fatos, bastam, por si só, para demonstrar a existência no homem de um espírito independente da matéria, espírito que tudo indica preexistir ao corpo e que lhe sobrevive à morte, e são ao mesmo tempo mais que suficientes para aniquilar de vez o postulado fundamental em que repousa a biologia moderna, segundo o qual o órgão cerebral cria a função do pensamento, quando os fatos demonstram que é o espírito – isto é, a função do pensamento – que cria os órgãos.

Sempre sob a relação psicofisiológica, mas de um ponto de vista diferente, os defensores da hipótese espírita partem dos fenômenos de exteriorização da sensibilidade e da motricidade para chegar gradativamente às outras manifestações aliadas da formação completa de um “duplo psíquico” exteriorizado, idêntico ao do sensitivo submetido à experiência; duplo psíquico  provido de sensibilidade e de motricidade, mas desprovido de atributos inteligentes, pois reproduz mimeticamente todos os movimentos do sensitivo; passam em seguida nos casos espontâneos ou provocados, em que o “desdobramento” é ao mesmo tempo fluídico, sensorial e psíquico (bilocação), deslocando a personalidade consciente do sensitivo para o “duplo”, que então percebe, a distância, o seu próprio corpo somático inanimado e adormecido. Chegados a esse ponto, os defensores da hipótese espírita concluem necessariamente que no homem existe um “duplo psíquico" (perispírito) que se pode separar do organismo somático em circunstâncias especiais de afrouxamento vital, como na síncope, no êxtase, no sono fisiológico, no sonambúlico e no hipnótico, nos casos de inalação de clorofórmio, etc.
Todas essas condições de fatos, conjuntamente, levam de modo lógico a admitir-se que, se no homem existe um "duplo psíquico", que se pode afastar temporariamente do organismo somático, mesmo durante a vida terrestre, a morte não deve, então, ser mais que a definitiva separação do corpo somático do duplo, enriquecido este do espírito, que é o seu nível de mente.


Sob o ponto de vista puramente psíquico os defensores da hipótese partem das experiências de transmissão do pensamento, a curta distância, e passam às que são obtidas a distâncias consideráveis, abrindo caminho às manifestações telepáticas propriamente ditas, para as quais nenhum limite pode ser marcado.
Aproximam, em seguida, ligam e comparam essas manifestações demonstrativas do poder funcional do pensamento com as manifestações complementares da evolução e da espiritualização das faculdades sensoriais, a começar do fenômeno de “transposição dos sentidos” que, evoluindo gradativamente, se transformam nos de autoscopia e de aloscopia, em que o sensitivo percebe macroscopicamente e microscopicamente o interior do próprio corpo ou do de outrem.
Esses fenômenos se elevam por sua vez até se transformarem em lucidez propriamente dita, em que o sensitivo percebe através de qualquer corpo opaco inanimado; e abrem caminho para outros bastante mais importantes da percepção das causas e dos acontecimentos a qualquer distância do sensitivo (clarividência ou telestesia), fenômenos que se elevam até atingirem, por vezes, o cimo da clarividência no futuro (precognição). 
Ora, é desse maravilhoso conjunto de manifestações anímicas que os defensores da hipótese espírita logicamente deduzem o que dá motivo às considerações precedentes, isto é, que tudo isto vem demonstrar que, nos recônditos da subconsciência humana, se encontram faculdades psico-sensoriais de ordem muito elevada, que independem da “lei da seleção natural” que, por conseguinte, outros não podem ser senão os sentidos espirituais existentes e preformados, em estado latente nessa subconsciência humana, esperando emergir e exercer-se num meio espiritual, após a crise da morte, como no embrião existem pré-formados, no estado latente, os sentidos da vida terrestre, esperando emergir e exercer-se no meio terrestre, após a crise do nascimento.

Não há quem possa deixar de compreender que as três conclusões a que chegam os defensores da hipótese espírita, de que uma é o complemento da outra, cumulativamente equivalem a uma demonstração rigorosamente experimental da existência no homem: de um espírito independente do corpo, organizador do corpo e sobrevivente à morte deste mesmo corpo – demonstração que para se tornar incontestável e definitiva só espera a quarta conclusão complementar a tirar-se dos fenômenos espíritas propriamente ditos.

Tal a base indestrutível sobre a qual se apóia a hipótese espírita, sob o ponto de vista anímico, das manifestações metapsíquicas.
Não vejo aqui oportunidade de enumeração da gradação fenomênica, seguida no estudo das manifestações espíritas, propriamente ditas. Com efeito, uma vez provado que no homem existe independente do corpo um espírito que sobrevive à morte deste mesmo corpo, as conclusões a que se chega pela teoria espírita não são mais do que o corolário inevitável das premissas em foco.
Para validade de qualquer tese ou teoria, como para a solidez de qualquer construção material, tudo depende dos fundamentos, e dado nos foi ver que os fundamentos em que se firma aquela hipótese, graças aos fenômenos anímicos, são de uma solidez a toda prova, embora os opositores se quisessem servir do animismo para demonstrar o erro das teses espíritas.