quarta-feira, 5 de setembro de 2012

75) Radioatividade e fenômenos mediúnicos de ectoplasmia

     
     Uma das grandes glórias do Espiritismo foi ter trazido para os seus arraiais um dos seus mais furibundos críticos, tangido, como ele próprio disse, pela força irresistível dos fatos -- o genial médico, professor, antropólogo, psiquiatra e criminologista italiano, César Lombroso. Segundo um dos seus biógrafos (Henrique Ferri), foi um homem polifacético. Sua extensa obra abarca temas médicos ( Tratado Profilático e Clínico da Pelagra, Os Venenos Químicos, Memória sobre as Feridas e Amputações por Armas de Guerra), psiquiáticos (Avanços da Psiquiatria, Doenças Mentais e Antropologia), psicológicos (A Loucura de Cardano, O Homem de Gênio, Gênio e Degeneração), demográficos (Geografia Médica), antropológicos (O Homem Branco e o Homem de Cor, O Antissemitismo e a Ciência Moderna), políticos (O Delito Político e a Revolução), criminológicos (O Homem Delinquente, O Crime: Causas e Remédios, A Mulher Criminosa, etc.), para só citar algumas.
     Sobre a sua última obra "Pesquisas sobre os Fenômenos do Hipnotismo e do Espiritismo", assim se pronunciou o Prof. A. Marzorati, um dos seus companheiros nos experimentos que empreendeu sobre os fenômenos mediúnicos ou paranormais:
     É um trabalho de descoberta, uma obra prima de erudição e sinceridade, um monumento de síntese que ficará como o testamento científico não só de quem o escreveu, mas de toda uma época que, partindo da negação, passou, de descoberta em descoberta, a experimentar toda a embriaguês do vir a ser, e que, na pesquisa inquieta e afanosa da matéria, tocou o umbral do mundo olvidado e pressentiu as misteriosas potências do Espírito.
     Vejamos o que diz o sábio antropólogo italiano sobre o tema que encima esse texto:

     "Foi somente depois de ter verificado os fatos das casas assombradas, e de observar Eusápia Paladino (a médium), em estado de transe, dar respostas com clareza e de modo bastante inteligente, em línguas que, como o inglês, desconhecia inteiramente, conseguindo até modelar baixos-relevos que nenhuma pessoa em condições normais poderia fazer, ainda mais sem nenhuma instrução, como era ela, -- foi somente depois de tudo isto e após tomar conhecimento dos experimentos de Sir William Crookes com os médiuns Home e Florence Cook, de Richet, de Aksakof, de Wallace, de Flammarion e outros, que me vi, também eu, compelido a crer que os fenômenos espiríticos, se bem sejam devidos em grande parte à influência do médium, igualmente devem ser atribuídos à influência de seres desencarnados, que possamos talvez comparar à radioatividade persistente nos tubos, depois que o elemento químico radium, ao qual ela deve sua origem, haja desaparecido." ( - )
    
     "De resto, como as leis relativas às ondas de rádio explicam, em grande parte, a telepatia, assim também as novas descobertas sobre as propriedades radioativas de alguns metais, especialmente o radium -- demonstrando-nos que aí pode haver, não apenas breves manifestações, mas um contínuo, enorme desenvolvimento de energia, de luz e calor, sem perda aparente de matéria -- invalidam a maior objeção que os cientistas podem opor às misteriosas manifestações espiríticas." ( - )
    
     RADIOATIVIDADE
     

     "Recordemos aqui os muitos indícios de um estado radiante dos médiuns em presença dos supostos "espíritos": a descarga do eletroscópio conseguida por Eusápia, tendo as mãos suspensas a 10 centímetros (o que é um fenômeno radioativo); a impressão dos quatro dedos que ela deixou em uma chapa fotográfica envolta em três papeis opacos; as névoas fosforescentes flutuando sobre sua cabeça e sobre a mesa em frente à qual estava sentada, em transe, e as nos dois médiuns, em transe, nos experimentos de Richet; as fosforescências no abdomem da médium D'Esperance ao se formarem os fantasmas; as faixas e globos luminosos nas sessões de Politi, de Eusápia, de Randone. O caso de Stasia, rigorosamente estudado por Ochorowicz, cujo corpo fantasmático consta de globos luminosos e pode provocar clarões ao seu redor, e o fato da reprodução, na escuridade, dos fantasmas obtidos pelo Conde de Boullet e Reiners com o médium Firman." ( - )

     "Num experimento realizado em Turim, pelos Drs. C. Foá e A. Herlitzka, com a médium Eusápia, uma chapa fotográfica, envolta em três folhas de papel opaco, foi colocada acima da cabeça da médium, diante da cortina negra da câmara mediúnica, e foi impressionada por uma grande mão, que não pertencia a nenhum dos dois cientistas, e menos à médium, reproduzindo quatro dedos enormes, o que demonstra haver nas sessões vontades enérgicas, contrárias à da médium e à dos presentes. Evidentemente, trata-se de um fenômeno de radioatividade e não de luminosidade, porque a impressão da chapa foi feita através de obstáculos opacos."
     "Com estes experimentos, se não erro, nos avizinhamos mais intimamente dos fenômenos, melhor direi, do organismo assim chamado - espirítico - aqueles representantes transitórios, evanescentes, do Além, dos quais não se quer admitir a existência por preconceito científico, não obstante a tradição universal renovada por milhares de fatos que continuamente repululam sob nossos olhos. E se descobre que estes corpos parece pertencerem àquele outro estado da matéria, ao estado radiante, que agora pôs seu pé firme na ciência, oferecendo assim a única hipótese que pode conciliar a crença antiga, universal, da persistência de algum fenômeno de vida depois da morte, com os postulados da ciência, segundo os quais - não há desenvolvimento de energia sem perda de matéria - e isso se concilia, sob nossos olhos, nos experimentos espiríticos."
     "Com efeito, salvo os casos de Katie King, em Londres, e de Eleonora, em Barcelona, nos quais esses seres espiríticos ficaram em nosso meio, nas sessões, por dias e anos, destes fantasmas só em alguns casos vemos o corpo completo, materializado, e mais frequentemente vemos alguns membros, a mão, um braço, etc., que saem da cortina da câmara mediúnica, e têm a tendência instintiva de regresso à câmara, depois do seu volitejar."
     "E palpando-os, rara vez e por pouquíssimo tempo, nós verificamos o estado sólido, porém mais frequentemente sentimos partir da cortina um corpo fluídico que se infla e se desvanece sob a nossa pressão, sem que por isso possamos declarar não existentes, e sim, exatamente por isso, que é formado de alguma substância que foge ao nosso tato, porque mais fluida, mais sutil do que alguns daqueles gases cuja existência negamos e talvez ainda negaríamos se a Química não os tivesse confirmado."
     "Evidentemente, porém, esses seres ou remanescentes de seres não teriam um meio de adquirir completa consistência, de incorporar-se (ou materializar-se), se não tomassem por momentâneo empréstimo uma parte da substância do médium, que está naquele instante, geralmente, profundamente adormecido, perdendo transitoriamente parte do próprio peso (ver cap. seguinte) e também, parece, do próprio volume corporal (ver o livro de Aksakof, Um Caso de Desmaterialização). Mas o tomar emprestado a força e a substância do médium não quer dizer identificar-se com ele. Tudo, pois, conduz à hipótese de que a Alma resulta da matéria radiante, provavelmente imortal, ao menos resistente a muitos séculos, e que se centuplica de energias para atingir a dos vivos, assimilando uma parte da substância orgânica, ou ectoplasma (no dizer do prof. Richet), que os médiuns liberam, com exuberância, durante o transe. E com isto se explicaria a grande potência desses médiuns."  

segunda-feira, 30 de julho de 2012

74) A Metapsíquica de Charles Richet, e a Parapsicologia de René Sudre

     A Metapsíquica, de Charles Richet, baseia-se em sua pioneira e grande obra "Tratado de Metapsíquica" (LAKE Editora, 2008), publicada originalmente em 1922. Vejamos:

     Metapsíquica é a ciência que tem por objeto os fenômenos físicos ou psicológicos que se poderiam chamar de inabituais, fenômenos esses devido a forças que parecem inteligentes ou a faculdades desconhecidas da mente. Assim, diremos que um fenômeno é metapsíquico quando ele não é explicado pelos fatos conhecidos, classificados, clássicos, quer da Psicologia, quer da Fisiologia, quer da Físico-Química habituais. A Metapsíquica pode ser dividida em Subjetiva (ou Mental) e Objetiva (ou Física).
    
     A Metapsíquica Subjetiva é o estudo dos fenômenos inabituais de natureza puramente psicológica, isto é, no qual não intervém nenhum fator, mecânico ou material, que seja inabitual (por exemplo, a leitura, por um sensitivo, de uma carta fechada dentro de um invólucro opaco). Pode-se resumir toda a Metapsíquica Subjetiva na seguinte proposição: há, para o conhecimento da realidade, outras vias além das vias sensoriais comuns. Por outras palavras, a inteligência pode conhecer um fragmento da realidade quando, nem a vista, nem o ouvido, nem o tato, lhe puderam revelar. Em geral, essa realidade se apresenta sob uma forma simbólica, como uma projeção alucinatória visual ou auditiva (é o que os autores ingleses chamam de "alucinação verídica").
     Admitamos então que há, nas coisas, vibrações imperceptíveis para a maior parte dos homens, mas que, em certos indivíduos, chamados sensitivos, põem em jogo o conhecimento. Chamaremos de criptestesia, isto é, sensibilidade oculta, à faculdade que alguns sensitivos possuem de perceber, por vezes, inabitualmente, noções (vibrações) impossíveis de adquirir por nossos sentidos normais. Premonição (ou precognição) é o conhecimento, pelo sensitivo, de eventos futuros.

Teoria da Criptestesia -- Há, em torno de nós, vibrações ou ondas eletromagnéticas que não percebemos através do nossos sentidos, mas que não deixam de existir por isso (ondas de rádio, TV, radar, microondas, etc.). Por consequência, é possível que das coisas que estão em torno de nós, ainda que minúsculas, sejam emitidas vibrações. Essas vibrações, não as percebemos, porque não somos sensitivos. Mas desde que um indivíduo, dotado dessa sensibilidade particular que chamo criptestesia, esteja presente, perceberá essas vibrações, ainda que elas sejam nulas para o comum dos homens.
     Bastar-me-á, pois, fazer estas duas suposições, ousadas talvez, mas que os experimentos rigorosos tornam quase necessários: 1ª - Que as coisas e os movimentos provocam certas vibrações; 2ª - Que essas vibrações podem ser percebidas por seres especialmente sensíveis. Assim, posto que grande quantidade de fatos novos fiquem ainda difíceis de estabelecer, teremos dado um caráter científico ao fenômeno, aparentemente maravilhoso, da criptestesia. (Obs. minha: o que Richet chama criptestesia engloba o que outros autores chamam de telepatia, isto é, transmissão de pensamentos, sem o auxílio dos sentidos, a pequenas ou grandes distâncias, e clarividência, ou seja, visão, sem o auxílio dos olhos, através de objetos opacos, a pequenas ou grandes distâncias).
     
     A Metapsíquica Objetiva é o estudo dos fenômenos mecánicos ou materiais, inexplicáveis pela Fisiologia e pela Físico-Química habituais -- movimentos de objetos sem contato, luzes, pancadas nas mesas sem contato, formas de aparência viva percebidas por diversas pessoas e fotografáveis, ruídos violentos ouvidos à distância, etc.. Chamamos de telecinésia o deslocamento de objetos à distância, sem contato, e raps as pancadas ou ruídos produzidos nesses objetos. É possível provar que o movimento de tais objetos é devido a formações adventícias, por vezes invisíveis, de membros e de mãos aptos a movê-los. Denominamos ectoplasmas a essas formações transitórias que, desprendendo-se do corpo dos sensitivos produtores de efeitos físicos, têm todas as aparências da vida, e desaparecem depois de passageira manifestação. Doravante, empregarei o termo ectoplasmia para designar todos os fenômenos onde ocorrem materializações de formas vivas, de objetos, de figuras, de personagens.
     Além da telecinésia e da ectoplasmia, é necessário acrescentar, à Metapsíquica Objetiva, um terceiro grupo de fenômenos -- o das chamadas casas assombradas; entretanto, salvo algumas exceções, trata-se de histórias recheadas de incertezas e fantasias. 


     
     A Parapsicologia, de René Sudre, é baseada em seu livro "Tratado de Parapsicologia" (Zahar Editores, 1976), publicado em 1956. Vejamos:

     Parapsicologia é a ciência que tem por objeto os fenômenos físicos ou psicológicos devidos a forças que parecem inteligentes ou a faculdades desconhecidas da mente. Ratificaremos a divisão geral em fenômenos mentais (ou psicológicos), e fenômenos físicos, ou seja, distinguiremos uma Parapsicologia Mental e uma Parapsicologia Física.
     
     A Parapsicologia Mental compreenderá os dois grandes grupos da telepatia e da metagnomia (clarividência), incluindo a metagnomia pré-cognitiva (fenômenos em que ocorre a antevisão do futuro). Acrescentaremos um terceiro grupo, o da prosopopese, que se relaciona aos conhecidos em Psicopatologia sob o nome de "divisão da personalidade". Reunimos, pois, sob o nome de prosopopese, todos os fenômenos em que aparecem personalidades psicológicas novas -- escrita e palavra automáticas, encarnação, possessão,etc.. (Obs. minha: a Parapsicologia mais recente, devida a J. B. Rhine, engloba os dois primeiros grupos sob a denominação de ESP - Extrasensory Perception, em inglês, ou PES - Percepção Extra-Sensorial, em português).
     
     No que concerne aos fenômenos físicos, admitiremos, como hipótese de trabalho, que são devidos a uma substância oriunda do corpo vivo e sob a dependência da mente. Aproximaremos, assim, os fatos do chamado "magnetismo animal" dos fatos de materializações. Distinguiremos, contudo, os fenômenos de telergia, isto é, os efeitos mecânicos, físicos, químicos, da força psíquica, dos fenômenos de teleplastia, nos quais a força psíquica modela formas animadas que dão a ilusão da vida. (Obs. minha: esta última palavra, sublinhada por mim, mostra-se em desacordo com os experimentos de Crookes, Richet, Aksakof, Lombroso, Geley, Bozzano e outros). Assim, telergia é a objetivação de forças, teleplastia é a objetivação de formas. 
     A telergia ainda pode ser subdividida em: telecinésia -- deslocamento de objetos sem contato, e hiloclastia -- fenômenos em que ocorre a penetração da matéria através da própria matéria. (Obs. minha: a Parapsicologia mais recente emprega o vocábulo psicocinésia, ao invés de telecinésia).
     Por sua vez, a teleplastia pode ser subdividida em espontânea (aparições), experimental (materializações), toribismo (fenômenos de "poltergeist") e assombrações. (Obs. minha: "Poltergeist" é um vocábulo alemão que significa "espírito barulhento" ou "perturbador"; tais fenômenos ocorrem, geralmente, em casas tidas como assombradas).
      

     O paciente, que os espíritas denominam impropriamente médium, é um ser vivo, homem ou animal, que produz ou ajuda a produzir fenômenos parapsicológicos. Os pacientes que produzem mais particularmente fenômenos mentais são os metagnomos; os que produzem mais particularmente fenômenos físicos são os teleplastas.  

Obs. minha: creio ser ocioso salientar que os dois autores citados neste artigo são materialistas e antiespíritas, sendo o primeiro -- Charles Richet -- um antiespírita moderado, e o segundo -- René Sudre -- um antiespírita extremado.  

domingo, 1 de janeiro de 2012

73) O magistral prefácio de Lombroso ao seu último livro "Pesquisas sobre os Fenômenos do Hipnotismo e do Espiritismo"

        "Quando -- ao término de uma jornada rica, senão de vitórias, certamente de veementes pugnas em prol das novas correntes do pensamento humano, na Psiquiatria e na Antropologia Criminal -- iniciei, primeiramente as pesquisas e depois a publicação de um livro sobre os fenômenos ditos espiríticos, surgiram, hostis, de todos os setores, os próprios amigos mais diletos a gritarem":
     "Quereis desfigurar um nome honrado, uma carreira, que depois de tantas lutas, já chegara finalmente à meta, e isso por uma teoria que todo mundo não só repudia, mas, o que é pior, despreza, e acha ridícula?"
     "Pois bem: tudo isso não fêz hesitar, um só instante, em prosseguir nesse caminho iniciado; senti-me, ao contrário, mais deliberadamente impulsionado, pois me pareceu fatal coroar uma existência que viveu na busca de novos ideais, combatendo em prol da ideia mais hostilizada e, talvez, mais escarnecida do século; pareceu-me um dever o encontrar-me, até o último dos meus já agora contados dias, exatamente onde surgem mais ásperos os obstáculos e mais encarniçados os adversários."
     "Bem sei que também estes não fariam agravo, pois, também eu, não há muito, estava entre eles, e dos mais implacáveis, porque concebidos como eram, pela maioria, os fenômenos espiríticos parece quererem abater o grande conceito do Monismo, que é um dos frutos mais preciosos da moderna cultura, e porque, ante a precisão, a continuidade dos fenômenos experimentais, sempre idênticos a si mesmo no tempo e no espaço, e sempre coerentes entre si, -- as observações e experiências espiríticas, frequentemente variáveis segundo os métodos, conforme as horas do dia e a disposição de ânimo dos assistentes, por muito repetidas e controladas por aparelhos de precisão científica, e embora joeiradas por experimentadores severíssimos (e bastaria enumerar Morselli, De Vesme, Brofferio, Sidgwick, Gurney, Myers, Podmore, Crookes, Richet, Lodge, Barrett, William James, Hyslop, Hodgson, Russel Wallace, Bottazzi, De Rochas, Herlitzka, Foà, D'Arsonval, Robert Hare, Dale Owen, Aksakof, Boutlerow, Zöllner, Ochorowicz, Du Prel, Flournoy, Gibier, Geley, Erny, Bozzano, Flammarion, etc.) -- têm sempre aquele aspecto de incerteza, de imprecisão, das velhas observações medievais."
     "Mas se cada um desses fenômenos nos pode ser ou parecer incerto, o conjunto de todos forma um compacto mosaico de provas resistentes aos ataques da mais severa dúvida; e agora, tal qual antes, o também grande princípio que diz -- não há função sem órgão, nem manifestação de energia sem perda de substância -- acha nos estudos da radioatividade uma pelo menos aparente exceção."
     "Nem com as novas conclusões espiríticas vêm abater-se as leis principais do monismo, pois ainda que reduzindo-se à matéria fluídica ou energética, que é visível e palpável apenas em algumas circunstâncias especiais, -- a alma continua a pertencer ao mundo da matéria, e assim, pela primeira vez, aparece conciliada a observação científica com aquela, multiplicada no tempo e no espaço, desde os povos mais antigos e selvagens aos mais civilizados, cristalizada por último na lenda religiosa, isto que, senão pela qualidade, certamente pela quantidade e uniformidade dos sufrágios, lhe confere uma autoridade igual, senão superior, ao pensamento dos grandes cientistas."
     "Por isto, nestas pesquisas, situei-me distante de toda teoria: desejei que esta surgisse espontânea, no ânimo do leitor, do mosaico dos fatos solidificados pela autoridade emanada do consenso geral de todos os povos."
     "De resto, depois de tudo isso, não pretendemos possuir a certeza absoluta: a hipótese espirítica surge, depois de tão fatigantes pesquisas, tal qual aqueles imensos espaços oceânicos, dos quais se vê emergir, aqui e ali, ilhotas mais elevadas, que só ao julgar do geógrafo dão a resultante do antigo continente, enquanto o vulgo ri da sua hipótese, aparentemente audaz."
     "Antes de fechar esta página, envio os mais vivos agradecimentos aos que me ajudaram com auxílio e colaboração: profs. Marzorati, Ochorowicz, Imoda, Richet e De Vesme."
                              
         Cesare Lombroso.
     (Trad. de Almerindo Martins de Castro).            

sábado, 17 de dezembro de 2011

72) Como se processa o fenômeno reencarnatório (2ª parte)


 Continuando o texto anterior, valer-me-ei agora da citação de três obras do grande mestre da Ciência da Alma, o filósofo Ernesto Bozzano: Metapsíquica Humana, Seleções, e Pensamento e Vontade. Escreve o mestre italiano:
    
     "A origem da vida é presidida por uma misteriosa força organizadora, imanente no perispírito ou duplo psíquico, comum a todos os seres vivos, a qual, no plano da existência encarnada, age automática e mecanicamente, sem que necessite do concurso intencional dos seres que ela vai plasmando. Explico-me melhor: provavelmente, no momento da concepção, o ser reencarnante deflagra um processo que, uma vez iniciado, segue contínua e independentemente, pelo qual a força organizadora vai agindo automaticamente na organização e plasmação das diversas partes do corpo físico, a partir da primeira célula viva (célula ovo ou zigoto), com as criações fluídicas perispirituais precedendo sempre o desenvolvimento corporal, que vai acompanhando, sucessivamente, as tramas fluídicas contidas no perispírito, até a formação completa do organismo e seu nascimento, não sendo necessária a ação permanente e consciente do espírito reencarnante, após a deflagração do processo organizador inicial." (Obs. minha: em Física isto se chamaria "reação em cadeia" que só necessita de um impulso inicial e depois segue, automaticamente, por si própria, como acontece nos reatores nucleares).
     

     Em sua obra "Pensamento e Vontade", Bozzano escreve:
     "A força organizadora, imanente no perispírito, que regula a origem e a evolução das espécies vegetais, animais e humanas, de forma oculta e automática (grifo meu) no ambiente terrestre, exterioriza-se numa forma fluídica que precede à criação corporal, cujas fases ulteriores de desenvolvimento são igualmente precedidas pelas tramas fluídicas correspondentes e destinadas a servirem de modelo, em torno do qual deverá, gradualmente, condensar-se, por lei de afinidade, a matéria viva, que atinge a individualidade vegetal, animal e humana, graças à nutrição fisiológica."
     

     Para completar, Kardec e Denis ensinam que, ao passo que o desenvolvimento embrionário, no ventre materno, segue o seu curso, a consciência do reencarnante vai se obnubilando paulatinamente até que, no momento do nascimento, o obscurecimento da conscência é total. No entanto, o ser reencarnado traz no seu insconciente espiritual, sob a forma de qualidades e defeitos, o somatório geral de todas as experiências vividas nas encarnações anteriores.
    

71) Como se processa o fenômeno reencarnatório (1ª parte)


Em artigo anterior (nº 14), procuramos mostrar de que se constitui, para nós, o ser humano encarnado:

1) O corpo físico: é formado pelos elementos químicos conhecidos pela Química terrestre, notadamente carbono, oxigênio, nitrogênio, hidrogênio, além de vários outros.

2) O duplo psíquico ou perispírito: é uma duplicata exata do corpo físico, porém formado de uma matéria ainda desconhecida pela Química terrestre. O seu nível de mente é o que chamamos de Espírito propriamente dito (emanação divina), inteiramente inacessível à nossa mentalidade. (Alguns chamam o perispírito de corpo espiritual).

3) A energia irradiada pelos filamentos nervosos dos seres vivos (energia nervosa ou energia vital), que serve de ligação entre o duplo psíquico e o corpo físico. Ela é, fundamentalmente, a responsável pela reparação das partes lesadas do corpo fisico, e grande parte dela é liberada para o ambiente durante o seu desencarne.
     
     Após tais considerações, citaremos a opinião de um dos grandes seguidores do mestre Kardec, o engenheiro Gabriel Delanne, que começou o aprofundamento da parte científica da Doutrina Espírita. Em seu livro "A Reencarnação" (inigualável, para mim, até hoje, não obstante as obras mais atuais que surgiram), diz o grande autor:
     "Está perfeitamente demonstrado que nas sessões de materialização se forma um ser estranho aos assistentes, e que é objetivo, porque todo mundo o descreve da mesma maneira; porque é possível fotografá-lo; porque deixa impressões digitais ou moldagens dos seus órgãos; porque age fisicamente, deslocando objetos; porque pode falar ou escrever. Este ser possui, pois, todas as propriedades fisiológicas de um ser humano comum e faculdades psicológicas."
     "Não se trata de um desdobramento do médium, não só porque dele difere em todos os pontos de vista, mas também porque costumam aparecer, simultaneamente, vários Espíritos materializados. Ademais, tem-se, por vezes, verificado que o médium, acordado, conversa com a aparição. Em outras ocasiões, o mesmo Espírito materializa-se, de maneira idêntica, com médiuns diferentes, e enfim, sua identidade é frequentemente estabelecida pelos que o conheceram."
     "Uma vez que o perispírito (ou duplo psíquico) possui a faculdade, após a morte, de materializar-se, reconstituindo integralmente o organismo físico que aqui possuía, somos levados a supor que, no instante do nascimento, é ele que forma seu invólucro corporal, o qual não passa de uma materialização estável e permanente, enquanto nas sessões experimentais ela é apenas temporária, porque produzida fora das vias normais da geração. É lógico, pois, supor que o corpo espiritual possui, em si, o estatuto das leis biológicas que regem a matéria organizada e preside a organização e manutenção do corpo terrestre."
     "Se realmente existe no homem um segundo corpo, que constitui a trama invisível, a duplicata perfeita, o modelo imperecível do organismo somático, pelo qual se ordena a matéria carnal, compreende-se que, apesar do turbilhão de matéria que passa continuamente em nós, se mantenha o tipo individual, em meio às incessantes mutações, resultantes da desagregação e da reconstituição de todas as partes do corpo; este é semelhante a uma casa, na qual, a cada instante, se mudassem as pedras em todas as suas partes. O perispírito é o modelo, o arquétipo, que vela pela manutenção do edifício, cujas partes se renovam continuamente, pois essa tarefa não pode, absolutamente, depender das atividades cegas da matéria."
     "Ele contém, igualmente, em camadas sucessivas, o arquivo de todos os tipos físicos que encarnou, em cada uma das suas vidas pretéritas. Pode-se dizer, portanto, que o conhecimento desse duplo psíquico é o fecho de toda a explicação das vidas sucessivas. A cada nascimento, é um ser antigo que reaparece." 

sábado, 10 de setembro de 2011

70) As comunicações mediúnicas entre vivos provam a realidade das comunicações mediúnicas com os mortos.


    Diz o grande mestre da ciência da alma em seu livro "Animismo ou Espiritismo? Qual dos dois explica o conjunto dos fatos?", portentosa síntese da sua obra de 40 anos, no cap. III, trad. de Guillon Ribeiro, ed. Feb:
    
     "Não esqueçamos que a denominação de fenômenos mediúnicos propriamente ditos designa um conjunto de manifestações paranormais, de ordem física e psíquica, que se produzem por meio de um sensitivo a quem é dado o nome de médium, por se revelar qual instrumento a serviço de uma vontade que não é a sua. Ora, essa vontade tanto pode ser a de um morto como a de um vivo. Quando a de um vivo atua desse modo, a distância, somente o pode fazer em virtude das mesmas faculdades espirituais que um morto põe em jogo. Segue-se que as duas classes de manifestações resultam de naturezas idênticas, com a diferença, puramente formal, de que, quando elas se dão por obra de um vivo, entram na órbita dos fenômenos anímicos propriamente ditos, e de que, quando se verificam por obra de um morto, entram na categoria, verdadeira e própria, dos fenômenos espíritas. Evidencia-se, portanto, que as duas classes de manifestações são complementares uma da outra, a tal ponto que o Espiritismo careceria de base, dado não existisse o Animismo."
     "A grande importância deste tema consiste em que os casos de comunicações mediúnicas entre vivos, com o se realizarem por processos idênticos àqueles pelos quais se operam as comunicações mediúnicas com os mortos, oferecem a possibilidade de apreender-se melhor a gênese destas últimas, por projetarem luz nova sobre as causas dos erros, das interferências, das mistificações subconscientes que nelas ocorrem; mas, sobretudo, por contribuírem a provar, com rara eficácia, a realidade das comunicações mediúnicas com os mortos, uma vez se considere que, nas comunicações mediúnicas entre vivos, é possível verificar-se a realidade integral do fenômeno, interrogando-se as pessoas colocadas nas duas extremidades do fio. Daí a sugestiva inferência de que, quando no outro extremo do fio se encontra uma entidade mediúnica que afirme ser o espírito de um "morto" e o prove ministrando informações pessoais que todos os presentes ignoram, racionalmente se deveria concluir que na outra ponta do fio há de estar a entidade do morto que se declara presente, do mesmo modo que nas comunicações entre vivos se verifica positivamente que na outra extremidade do fio se acha o vivo que se manifesta mediunicamente." (_)

     "Por outras palavras: se, pelas comunicações mediúnicas entre vivos, nas quais é dado verificar-se a autenticidade dos fenômenos interrogando-se as pessoas colocadas nos dois extremos do fio, fica positivamente demonstrado que a mensagem mediúnica provém do vivo que, distante, se declara presente, então, quando na outra extremidade do fio se acha uma entidade mediúnica afirmando ser o espírito de um morto e provando-o por meio de informações pessoais ignoradas dos assistentes e do médium, legítimo teoricamente se torna inferir-se que na outra ponta do fio deve achar-se, com efeito, a entidade do morto que se declara presente. Noutros termos: para ambas as categorias indicadas se há de excluir a hipótese das personificações subconscientes ou hipnóticas que representariam a personalidade de um morto extraindo informações das recordações latentes nas subconsciências de terceiras pessoas, de que tanto se tem abusado até hoje. Nada, pois, de personificações efêmeras de ordem onírico-hipnótica em relação com as comunicações mediúnicas entre vivos e, em consequência, nada também de semelhante em relação às comunicações com entidades de falecidos que forneçam as reclamadas provas de identificação pessoal." (_)

     "Assinalado esse ponto, apresso-me a acrescentar que a hipótese hipnótica tem que ser eliminada em face da consideração de que com ela não se explicaria a característica fundamental das comunicações entre vivos, característica que é a da conversação que se desenvolve entre o médium e a personalidade subconsciente do vivo distante daquele, conversação que assume aspectos sempre novos e imprevistos, que nada de comum apresentam com as lembranças latentes nas subconsciências de terceiros, porquanto as informações fornecidas, os manifestados estados de ânimo, as características morais, as idiossincrasias pessoais, brotam das perguntas que o automatista dirige à personalidade do vivo que se comunica. Assim sendo, só resta concluir formulando uma proposição tão simples que parece ingênua, e é que, quando uma hipótese se revela impotente para explicar a característica maior de uma dada classe de manifestações, isso significa que ela é inaplicável às mesmas manifestações."

     A fim de conhecer os vários fatos em que o inigualável argumentador (Ernesto Bozzano, filósofo, psicólogo e cientista) embasou a sua tese, conviria consultar a obra citada e outra mais específica: "Comunicações Mediúnicas entre Vivos", Editora Edicel, São Paulo, trad. de Francisco Klors Werneck. (Obs. minha).
 

sábado, 6 de agosto de 2011

69) A importância dos fenômenos de "bilocação" (ou "desdobramento") para a sobrevivência humana, segundo dois sábios, César Lombroso e Ernesto Bozzano.

             
     Comecemos citando o psiquiatra e criminologista italiano César Lombroso em seu livro "Hipnotismo e Mediunidade" (ed. FEB, trad. de A. Martins de Castro):

     "A realidade da existência dos fantasmas parece menos paradoxal admitindo-se o assim chamado -- duplo do corpo (em inglês -- wraith; em alemão -- doppelgänger; em francês -- double), do qual estão cheias as lendas dos povos antigos e selvagens. Estes, porém, observaram poucos fatos de aparições e de sonhos, enquanto nós, ao contrário, temos, para lhes dar crédito, uma longa série de observações e de provas. Se algumas, tomadas isoladamente, podem ser postas em dúvida, elas adquirem, à semelhança das pedras de uma abóbada, a solidez da sua união recíproca," (_)

     "A existência do duplo psíquico pode-se dizer certa em muitos estados paranormais da psique. O duplo psíquico pode explicar muitos dos fenômenos espiríticos sem recorrer aos Espíritos dos mortos, substituindo a ação destes pela do médium, cujo corpo ou parte dele atue a uma certa distância do seu corpo vivo. Talvez ao duplo pertençam também aqueles membros mais ou menos formados que se vêem sair do corpo, das costas ou saia da médium e que deram, tão frequentemente, origem a suspeitas de truque."
     "Este fenômeno do duplo psíquico explica ainda a visão e a percepção que o médium tem de quanto acontece no recinto, em plena escuridão; explica talvez o estranho fenômeno da transposição dos sentidos, pelos quais o paciente vê pela orelha, olfata pelo joelho, ouve pelo antebraço (ver cap.1); explica, em suma, um dos fenômenos mais inexplicáveis da psicofisiologia. Pode explicar ainda a visão dos sonâmbulos e dos médiuns a distância e através dos corpos opacos, e como possa ser desdobrado ou bilocado o corpo de um adormecido, de um agonizante ou de um extático a uma grande distância dele."
     "E, como indicamos, o duplo psíquico nos põe no caminho de compreender como possam existir corpos sutis que apresentam, ao menos por algum tempo, todas as faculdades do corpo vivo. O duplo, pois, deve ser considerado quase como um elo de conjunção entre o médium e o Espírito dos mortos. Mas a ação deste parece que se perpetua indefinidamente, enquanto a do duplo não se prolonga além do estado agônico, e não está jamais em contraste, antes em continuidade com a ação do vivo, enquanto a ação dos mortos é amiúde autônoma, frequentemente em contradição com a ação do médium."
     "E, com frequência, o Espírito aparece como um fantasma diferente do médium, o que não acontece com o duplo, e comumente provoca fenômenos e energias, como a materialização, a percepção do futuro, a xenoglossia, a escrita direta, e com os caracteres próprios do morto, energias estas que o médium, sozinho, não pode possuir."

     Citemos agora o filósofo e psicólogo italiano Ernesto Bozzano em suas obras "Animismo ou Espiritismo?" (ed. FEB, trad. de Guillon Ribeiro) e "Fenômenos de Bilocação" (ed. Calvário, trad. de Francisco Klors Werneck):

     "Pela denominação genérica de "fenômenos de bilocação" se designam as múltiplas modalidades sob que se opera o misterioso fato do "desdobramento psíquico" do organismo corpóreo. Daí vem que os fenômenos de bilocação revestem fundamental importância para as disciplinas parapsicológicas, porquanto servem a revelar que as manifestações "anímicas", conquanto inerentes às funções do organismo físico-psíquico de um vivo, têm como sede um certo quê, qualitativamente diverso do mesmo organismo. Assumem por isso um valor teórico resolutivo para a demonstração experimental da existência e sobrevivência do espírito humano."
     "Por outras palavras: os fenômenos de bilocação demonstram que no "corpo somático" existe imanente um "duplo psíquico" (ou "perispírito") que, em circunstâncias raras de diminuição vital nos indivíduos (sono fisiológico, sono hipnótico, sono mediúnico, êxtase, delíquio, narcose, estados comatosos), é suscetível de afastar-se temporariamente do corpo somático, durante a existência encarnada. Inevitável, pois, a inferência de que, se o duplo psíquico é suscetível de separar-se temporariamente do corpo somático, conservando íntegra a consciência de si, forçoso será concluir-se pelo reconhecimento de que, quando aquele se separar deste definitivamente pela crise da morte, o duplo psíquico continuará a existir, em condições apropriadas de ambiente, o que demonstra que a sede da consciência, da memória integral e das faculdades de ordem paranormal estão situadas no Eu espiritual, que é o nível de mente do duplo psíquico ou períspirito." (Observação minha: o duplo psíquico ou perispírito seria, por assim dizer, o "corpo" do Espírito, do Ser inteligente, o que é confirmado pelo próprio Kardec). (_)
    
     "Se aplicarmos os processos de análise comparada às centenas e centenas de episódios desse gênero, onde todas as gradações que lhes caracterizam a fenomenologia se apresentam de modo a fazer ressaltar as modalidades por que se determina o fenômeno de exteriorização do "duplo psíquico", veremos desaparecer, por completo, qualquer dúvida sobre a objetividade do mesmo, diante do afastamento, então inevitável, das hipóteses "oníricas" e "alucinatórias", únicas que se poderiam opor a fenômenos dessa ordem. Essas conclusões decorrem das considerações que se seguem."
     "Em primeiro lugar, devemos considerar que as diferentes gradações por que os fenômenos de "bilocação" se apresentam, não só entre si se completam, como se confirmam de modo admirável. Logo de início se apresentam os fenômenos ditos de "sensação de integridade" de um membro amputado, em que, se conseguirmos distrair a atenção do paciente, ele experimenta as sensações todas que o membro deveria acusar, se ligado ainda estivesse ao corpo. Seguem-se os casos de "desdobramento incipiente" nos atacados de hemiplegia, os quais, por vezes, percebem, no lado paralítico, uma secção longitudinal do seu próprio fantasma e afirmam que essa secção possui a integridade sensorial que lhes foi tirada. Aparecem em seguida os casos de desdobramento apenas esboçado, em que a pessoa percebe o seu próprio fantasma a distância, continuando embora a guardar integral a própria consciência (desdobramento autoscópico). Veremos depois aqueles em que a consciência pessoal se transfere para o fantasma, que percebe, então, à distância, o próprio corpo inerte ou adormecido, casos altamente sugestivos, em que, muitas vezes, repontam as faculdades de ordem paranormal. Seguem-se os casos de desdobramento durante o sono natural, durante o sono provocado, durante a síncope, durante o coma, e ainda aqueles em que o fantasma desdobrado de um vivo adormecido é visto por terceiros, situados à distância, e finalmente os casos em que o fenômeno de desdobramento psíquico se produz no leito de morte e é percebido por sensitivos, desde os povos antigos e selvagens até os dias de hoje, em que eles relatam continuamente, ignorando as experiências uns dos outros, a reprodução perfeita de um simulacro do corpo somático do moribundo, simulacro esse não só animado e vivo, como assistido por entidades de falecidos, que parecem acorrer com esse objetivo, junto daquele que se extingue. Finalmente, há casos mais raros em que as fases iniciais do desdobramento no leito de morte são percebidas coletivamente por todos os assistentes."
     "Em segundo lugar, as hipóteses oníricas e alucinatórias devem ser excluídas, pois os fenômenos de bilocação no leito de morte são constantemente descritos pelos videntes com as mesmas minuciosas modalidades de realização, em que se notam pormenores tão novos, tão inesperados, que, logicamente, não é de se supor possam surgir assim idênticos, na mentaidade de todos os videntes, quer entre os povos civilizados, bárbaros ou selvagens."
     "Em terceiro lugar, porque já se obtiveram, experimentalmente, fotografias de fantasmas desdobrados de vivos (Stainton Moses, Coronel de Rochas, H. Durville, Prof. Istrati) e fotografias de fantasmas no leito de morte, em sua forma rudimentar (Dr. Baraduc). Em consequência, o reconhecimento da realidade objetiva, pela ciência, dos fenômenos de bilocação, comprovando a existência e sobrevivência do espírito humano, não será mais que uma questão de tempo."

     Observação minha: fiz pequenas modificações nos textos acima, sem lhes alterar a substância e o sentido, para atualizá-los e melhor adequá-los aos meus objetivos.